Publicidade

Estado de Minas

EUA suspenderá imigração por COVID-19, que segundo OMS durará por "longo tempo"


postado em 22/04/2020 16:55

Donald Trump assinará um decreto nesta quarta-feira para proibir a imigração permanente para os Estados Unidos em face do aumento do desemprego causado pela pandemia de coronavírus, que a OMS diz que durará "muito tempo".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) observou que, embora a pandemia - que deixou mais de 180.000 mortos em todo o mundo - tenha se estabilizado ou esteja em declínio na Europa, existem "tendências perturbadoras" na América Latina, África e Europa Oriental.

"Não se enganem: temos um longo caminho pela frente. Esse vírus nos acompanhará por um longo tempo", alertou o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em uma videoconferência.

Robert Redfield, diretor do Centro Americano de Prevenção e Controle de Doenças (CDC), emitiu um aviso semelhante, apontando o risco de uma segunda onda no próximo inverno.

"Teremos a epidemia de gripe e a epidemia de coronavírus ao mesmo tempo", disse ele em entrevista ao The Washington Post.

No total, mais de 2,5 milhões de casos foram diagnosticados em 193 países e territórios. Com 45.000 mortes, os Estados Unidos são o país onde o vírus mais matou. Na sequência aparecem Itália (25.085 mortos), Espanha (21.717), França (21.340) e Reino Unido (10.100).

Pelo menos 4,5 bilhões de pessoas, ou 58% da população mundial, vivem confinadas ou forçadas a limitar seus movimentos.

- A pior crise desde a 2ª Guerra Mundial -

A pandemia já está causando sérios danos econômicos que o apoio de governos e instituições multilaterais não consegue impedir.

Nos Estados Unidos, onde 22 milhões de pessoas perderam seus empregos nesta crise, Trump anunciou que suspenderá a imigração legal permanente por pelo menos dois meses, para proteger a força de trabalho local.

"Vou assinar hoje (quarta-feira) o decreto que proíbe a imigração em nosso país", afirmou o presidente em um tweet.

A medida não afetará os vistos de trabalho temporário, mas afetará os green cards, documento que dá residência permanente ao beneficiário.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alertou para a "pior crise internacional desde a Segunda Guerra Mundial" em relação à situação do emprego.

A pandemia "pode dobrar a taxa de desemprego na Europa nos próximos meses", disse a consultoria americana McKinsey.

- Espanha mira para meados de maio -

Na Europa, onde o coronavírus matou mais de 112.848 pessoas - dois terços do total -, de acordo com os números mais recentes da quarta-feira, o confinamento mais ou menos rigoroso é aplicado na maioria dos países.

Alguns, como Alemanha, Áustria, Noruega ou Dinamarca, começaram a suspender parte das medidas de confinamento, mas mantendo o distanciamento social.

"Ir muito rápido [com o desconfinamento] seria um erro", disse a chanceler Angela Merkel.

A Espanha, que aplica um dos mais rígidos confinamentos da Europa, o prorrogará até 9 de maio.

Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou que está estabelecendo a "desescalada" das rigorosas medidas de confinamento em vigor desde 14 de março até "a segunda quinzena de maio".

Sánchez enfatizou que a suspensão das restrições deve ser "lenta e gradual, precisamente porque precisa ser segura".

- Contração histórica na América Latina -

Na América Latina e no Caribe, onde já existem mais de 5.700 mortes e cerca de 115.000 infecções, a pandemia pode provocar a pior contração econômica da história, com uma queda no PIB de 5,3% em 2020, segundo as previsões da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

No Equador, a cidade de Guayaquil continua concentrando a maioria das infecções registradas no país, onde mais de 530 pessoas morreram.

No Brasil, as autoridades de saúde iniciaram o primeiro teste maciço para diagnosticar o vírus na terça-feira, com um total de 100.000 testes a serem distribuídos na capital brasileira. No total, o Brasil superou 40.000 casos, com 2.500 mortes pela pandemia.

O México, que elevou o nível de alerta de saúde na terça-feira devido ao aumento de infecções, anunciou nesta quarta-feira que aumentará o orçamento para programas sociais em cerca de 25,6 bilhões de dólares. O país tem um total de 9.501 casos positivos e 857 mortes pelo vírus.

O Panamá, por sua vez, começou a instalar câmeras térmicas no metrô para detectar possíveis infecções.

- "Agora morrem sozinhos" -

O Banco Mundial alertou em um relatório que a crise causada pelo vírus poderá causar uma queda "sem precedentes" nas remessas de cerca de 20%, o que impactará fortemente os países pobres que recebem contribuições de imigrantes.

O fechamento das fronteiras devido à pandemia implica que mesmo os corpos de alguns migrantes não podem ser repatriados e são enterrados ou cremados sozinhos.

"Ninguém vem, ninguém toca, ninguém diz 'adeus'", disse Ishwar Kumar, diretor de um centro hindu de cremação em Dubai, onde há uma grande população de migrantes.

Antes da pandemia, as pessoas vinham e traziam flores, contou. "Agora eles morrem sozinhos".


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade