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Estado de Minas

Paciente do coronavírus se recupera após três semanas de UTI na Alemanha

Alemanha vira um modelo para a Europa por sua maneira de tratar pandemia, com taxa de mortalidade de 2,9%


postado em 18/04/2020 13:15 / atualizado em 18/04/2020 13:18

Martina Hamacher, que acaba de passar a primeira noite sem respirador(foto: Ina FASSBENDER / AFP)
Martina Hamacher, que acaba de passar a primeira noite sem respirador (foto: Ina FASSBENDER / AFP)

"Tive sorte", afirma Martina Hamacher, 60 anos, que acaba de passar a primeira noite sem o auxílio de um respirador artificial após várias semanas internada, três delas na UTI.


Ela ainda precisa dos tubos e cabos que lhe permitiram escapar da morte. Está entre os primeiros casos de COVID-19 na Alemanha e do foco inicial que surgiu em fevereiro na região de Heinsberg, oeste do país.


O hospital universitário de Aachen se adaptou rapidamente para a chegada dos pacientes, assim como o conjunto do sistema de saúde alemão.


Hoje, pelo menos 11.000 leitos de UTI continuam livres, enquanto outros países, como França e Itália, registram problemas.


A Alemanha virou um modelo para a Europa por sua maneira de tratar a pandemia, com uma taxa de mortalidade de 2,9%.


Em Aachen, a UTI da imensa clínica não está saturada e nunca se aproximou da sobrecarga.


Em um corredor da Unidade de Terapia Intensiva, com 17 leitos, homens e mulheres estão adormecidos, incapazes de sobreviver por conta própria. Em muitos casos, o coronavírus afetou os pulmões, mas também outros órgãos.


A equipe médica, em meio aos bipes incessantes das máquinas, trabalha em corpos conectados a cabos. Para fazer isso, os profissionais precisam se proteger com máscaras, luvas e trajes especiais.


"Faz parte do nosso dever, somos necessários e respondemos presente", afirma Kathi, uma enfermeira.


"É importante que a UTI não esteja associada apenas à morte e às máquinas", declara Gernot Marx, diretor do departamento.


"Devolvemos à vida a maioria dos pacientes graças ao número de máquinas, mas também graças às pessoas que trabalham e se dedicam", completa.


"Sem o envolvimento dos profissionais da saúde, não acredito que ainda estaria aqui", afirma Hamacher.


"Começou lentamente", com alguns pacientes, recorda Marx. "Percebemos que deveríamos aproveitar o tempo para nos prepararmos, porque as imagens que vinham de Bérgamo (na Itália) nos assustaram", completa.


Em poucos dias, o número de leitos na UTI passou de 96 a 136. Outros 70 podem ser mobilizados rapidamente.


O hospital tem no momento 51 pacientes infectados, 35 deles na UTI.


Martina Hamacher recorda que tudo começou como "uma gripe, com um pouco de febre". Mas rapidamente a situação se tornou grave.


"Nunca vivi algo assim, o sentimento de não conseguir respirar... É impossível descrever, sempre ficará na minha cabeça.


"Nos pacientes afetados pela COVID-19, temos longos períodos de ventilação mecânica e sim salva vidas, em um primeiro momento os pulmões são danificados", explica a dra. Anne Brücken à AFP.


Depois de várias semanas de assistência respiratória, "os pacientes não conseguem sair dos respiradores facilmente". O processo dura uma ou duas semanas e tem o objetivo de reduzir progressivamente a dependência das máquinas.


"Quanto mais tempo dura a ventilação, mais tempo se enfraquecem os músculos que utilizamos normalmente para respirar e, às vezes, é necessário aprender novamente a engolir", explica a médica.


Depois os pacientes seguem para centros de recuperação por várias semanas.


Em seu novo quarto, Martina Hamacher continua proibida de receber visitas e os médicos e enfermeiros usam trajes de proteção.


Apesar das dificuldades, "hoje me sinto uma rainha, posso dizer que as coisas estão melhorando", afirma, com um sorriso tímido.


"A vida é boa, o que acontecer a partir de agora eu vou ter que aproveitar", conclui.


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