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Estado de Minas

Corrida contra o tempo para descoberta de vacina contra a COVID-19


postado em 15/04/2020 13:55

O desenvolvimento de uma vacina será um ponto de inflexão determinante na luta contra o coronavírus que já matou mais de 120.000 pessoas no mundo, mas por enquanto os cientistas não sabem se ela ficará pronta neste ano ou se o mundo terá que esperar até 2021.

- Por que a vacina é essencial? -

Somente com campanhas de vacinação em massa se conseguirá frear de modo eficaz a pandemia da COVID-19, alertam epidemiólogos, virólogos e sanitaristas.

"O desenvolvimento e a distribuição de uma vacina segura e eficaz serão necessários para interromper completamente a transmissão", enfatiza o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

As medidas de confinamento e o distanciamento social são caras e difíceis de manter por um longo período de tempo e, portanto, não são viáveis no médio e no longo prazo.

Por enquanto, nenhum tratamento é eficaz para curar doentes graves de COVID-19, que podem sofrer com pneumonia ou acelerações fatais do sistema imunológico.

Uma vacinação em massa permitiria imunizar uma alta porcentagem da população, impedindo a circulação do vírus SARS-CoV-2 e interrompendo a epidemia.

Foi o caso da varíola, outra doença viral sem tratamento efetivo, controlada desde a década de 1980 graças às vacinas.

- A pesquisa, em efervescência -

Em meados de janeiro, foi obtida a sequência completa do novo coronavírus e, paralelamente à sua disseminação mundial, laboratórios de pesquisa do mundo todo se lançaram em busca de uma vacina.

Atualmente, mais de cem projetos estão em desenvolvimento com gigantes farmacêuticos e uma infinidade de laboratórios de biotecnologia, de acordo com François Balloux, pesquisador da University College London.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) indicou que está em contato com os responsáveis por uma "dúzia" de projetos de vacinas, dos quais dois já entraram na fase de testes clínicos.

A China realiza três testes clínicos e o prestigiado Instituto Pasteur, na França, gerencia três projetos.

Os gigantes farmacêuticos Sanofi (França) e GSK (Reino Unido) esperam propor uma vacina em conjunto até o ano que vem. A concorrente americana Johnson & Johnson está comprometida com o desenvolvimento para o início de 2021.

- Quais são os obstáculos? -

A primeira dificuldade é o próprio vírus. "Até agora, uma vacina eficaz contra o coronavírus humano nunca foi desenvolvida", explica Christian Bréchot, ex-diretor do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França.

"Os cemitérios estão cheios de candidatos-vacinas que nunca funcionaram", ilustra ao jornal britânico The Guardian Jonathan Heeney, pesquisador canadense que lidera a empresa de biotecnologia DIOSynVax, na corrida para encontrar um antígeno.

Esse vírus também apresenta outra dificuldade e é a reação exagerada da resposta imune que provoca em pacientes em estado grave. São "tempestades de citocinas", ou seja, uma produção muito abundante dessas substâncias inflamatórias que podem levar à morte.

Como estimular a reação antiviral com uma vacina sem levar em conta essa perigosa aceleração do mecanismo imunológico?

"Ainda não compreendemos completamente o papel dos anticorpos nesse fenômeno", admite Frédéric Tangy, especialista em vacinas do Instituto Pasteur.

"Em algumas condições, os anticorpos podem agravar a doença", diz a AFP.

Esse foi o caso de várias vacinas da Sanofi contra a dengue e o sarampo na década de 1960.

Além disso, os coronavírus são vírus de RNA que têm a característica de "sofrer muita mutação", segundo Tangy. Por esse motivo, o Instituto Pasteur também está trabalhando em uma "vacina universal contra o coronavírus" que atua sobre as proteínas comuns dessa família de vírus.

Outro tipo de dificuldade diz respeito à temporalidade: é mais fácil e mais eficiente desenvolver uma vacina e distribuí-la antes de uma onda epidêmica.

Em meio à epidemia, o recrutamento de pessoal para os estudos é mais delicado, pois é preciso garantir que as pessoas não estejam e não sejam infectados, o que dificultaria a interpretação dos resultados.

Depois que a onda epidêmica passa, também é mais difícil determinar a eficácia real de uma vacina se o vírus parou de circular ou se circula apenas entre a população.

- Para 2020 ou 2021? -

"Há uma boa chance de que funcione. O êxito no segundo semestre deste ano é possível se tudo correr perfeitamente", afirmou ao jornal britânico The Times a especialista britânica Sarah Gilbert, professora da Universidade de Oxford e CEO da empresa Vacccitech, que está conduzindo testes clínicos.

O lançamento de uma vacina nesse período seria duplamente importante, antes de uma possível nova onda de COVID-19 durante o inverno no hemisfério norte.

No Instituto Pasteur, onde os testes começarão em julho, Tangy estima que uma vacina possa chegar "antes do final do outono ou do início do inverno (do hemisfério norte)".

A EMA é cautelosa e indica que o calendário é "difícil de prever". "Com base em experiências anteriores, pode levar pelo menos um ano até que uma vacina esteja pronta para ser aprovada e disponível em quantidades suficientes para permitir o uso generalizado".

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