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Estado de Minas

UE chega a acordo sobre resposta econômica comum ao coronavírus


postado em 09/04/2020 18:18

Os ministros das Finanças europeus chegaram nesta quinta-feira (9) a um acordo para um plano de ajuda no valor de 500 bilhões de euros para enfrentar as consequências da pandemia do novo coronavírus, após superadas as objeções da Holanda.

"É um grande dia para a solidariedade europeia", reagiu o ministro alemão, Olaf Scholz.

Trata-se de um "excelente acordo", tuitou o ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire, que inclui "500 bilhões de euros disponíveis imediatamente", sem condições, como pediam os países do sul, e "um fundo de estímulo posterior".

No entanto, os 27 países-membros do bloco voltaram a descartar a ideia de uma missão de dívida comum, como queriam Espanha e Itália.

Diante do maior desafio econômico para a UE desde sua criação, dar uma resposta comum era uma necessidade.

Os chefes de Estado e de governo não conseguiram chegar a este acordo em 26 de março passado e seus ministros tiveram que adiar sua reunião na terça-feira, após 16 horas de discussões infrutíferas, até esta quinta-feira.

A ideia de uma emissão da dívida comum, que suscitava a ferrenha oposição de países como a Holanda, foi adiada, segundo as fontes consultadas.

Concretamente, a resposta comum europeia tem três eixos: até 240 bilhões de euros de empréstimos do fundo de emergências da zona do euro, um fundo de garantias de 200 bilhões de euros para as empresas e até 100 bilhões de euros para programas de desemprego parcial.

- A sombra da 'Grande Depressão' -

Um entendimento é mais do que necessário, pois a economia europeia está caminhando para uma profunda recessão em 2020.

O FMI prevê a "pior crise econômica" desde a Grande Depressão de 1929, estimando que 170 países entre seus 189 membros sofrerão uma contração em sua renda per capita este ano.

"A confiança de nossos cidadãos depende de nós. Temos que chegar a um acordo", escreveu o presidente do Eurogrupo, Mario Centeno, no Twitter pouco antes da reunião.

Os Estados-membros criticam a Holanda - apoiada, segundo uma fonte europeia, pela Áustria, Suécia e Dinamarca - por bloquear o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), condicionando os empréstimos que este fundo de ajuda da zona euro poderia conceder a reformas econômicas.

Esse "condicionamento", que faria retroceder à época em que a Grécia era forçada a aplicar reformas dolorosas, seria experimentado como humilhação pela Itália e pela Espanha, os dois países europeus mais afetados pela pandemia.

O MEE, criado em 2012 durante a crise da dívida na zona do euro, poderia conceder empréstimos a um Estado em dificuldades de até 2% do seu Produto Interno Bruto (PIB), ou até 240 bilhões de euros para todo o zona do euro.

"Há realmente coisas a serem discutidas. (Mas) se precisarmos de mais tempo, levaremos", disse o ministro das Finanças da Holanda, Wopke Hoekstra, na quarta-feira, pouco antes da reunião.

A mutualização da dívida é, de fato, uma linha vermelha para Berlim e Haia, que se recusam a se comprometer com um empréstimo conjunto com Estados fortemente endividados, que consideram maus administradores.

Uma reativação é possível "com instrumentos muito clássicos" e já existentes, "como por exemplo o orçamento da União Europeia", alegou o ministro alemão.

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