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Estado de Minas COVID-19

Enterros nos parques de Nova York


postado em 07/04/2020 04:00

Corpos cobertos com lençóis brancos são retirados de hospitais nova-iorquinos e levados por caminhões frigoríficos, já que funerárias estão sobrecarregadas(foto: BRYAN R. SMITH/AFP)
Corpos cobertos com lençóis brancos são retirados de hospitais nova-iorquinos e levados por caminhões frigoríficos, já que funerárias estão sobrecarregadas (foto: BRYAN R. SMITH/AFP)


As funerárias de Nova York estão lotadas, os caminhões frigoríficos estacionam em frente aos hospitais para receber cadáveres, e um vereador nova-iorquino revela um plano de emergência para fazer enterros temporários em um parque da cidade, que ontem registrava 3.485 mortos pelo novo coronavírus.

As imagens são terríveis: corpos cobertos com lençóis brancos ou lonas, transportados em macas por funcionários com roupas de proteção para os caminhões refrigerados porque os necrotérios dos hospitais e as funerárias estão sobrecarregados.

Nova York já ultrapassou a casa dos 72 mil contágios pelo novo coronavírus e os mortos superam os 500 por dia há uma semana – sábado alcançou o recorde de 630 em 24 horas.

“A maioria das funerárias tem capacidade de refrigeração limitada”, explicou Ken Brewster, proprietário de uma pequena empresa de honras fúnebres no Queens, inundada por pedidos de enterros de vítimas da COVID-19 há uma semana. “Se você não tem lugar, precisa destes caminhões”, disse.

Algumas funerárias não aceitam mortos por coronavírus, o que sobrecarrega as que aceitam.

Para Pat Marmo, que administra cinco funerárias na cidade, o estresse gerado por este fluxo de cadáveres é difícil de gerenciar. Ele mesmo acaba de perder um primo e outro familiar para a pandemia.

“Os hospitais nos pressionam para buscar os corpos, mas não temos locais para mantê-los”, disse Marmo, destacando que agora há “três vezes mais” mortes do que em períodos normais e que a agenda de enterros está lotada até o próximo mês. “É como um 11 de Setembro que dura dias e dias”, comparou.

ILHA

As funerárias estão tão sobrecarregadas que um vereador de Nova York evocou ontem a possibilidade de realizar enterros temporários em um parque da cidade. “Em breve vamos começar os 'enterros temporários'. Isso será realizado provavelmente, utilizando um parque de Nova York para os enterros (sim, vocês leram corretamente)”, tuitou o vereador democrata Mark Levine, que preside a comissão de saúde da cidade.

“Serão cavadas trincheiras para 10 caixões em fila. Será feito de forma digna, ordenada e temporária. Mas será difícil de engolir para os nova-iorquinos”, acrescentou. 

Quando suas declarações chegaram à imprensa e às redes sociais como rastilho de pólvora, Levine esclareceu que essa “é uma contingência para a qual a cidade de Nova York se prepara, mas se a taxa de mortes cair suficientemente, não será necessário”.

“Talvez tenhamos que enfrentar enterros temporários”, confirmou o prefeito Bill de Blasio, perguntado a respeito. “Não vou entrar em detalhes. Não acho que seja bom falar nisso”, completou. Freddi Goldstein, porta-voz do prefeito, tentou atenuar, pouco tempo depois. “Não estamos planejando atualmente usar parques locais como locais de enterro. Estamos avaliando o uso de Hart Island para enterros temporários, se a necessidade aumentar”, disse, referindo-se à pequena ilha de 1,6 km de extensão, em frente ao distrito do Bronx, onde desde o século XIX são enterrados indigentes em valas comuns.


E MAIS...

Cruzeiro

Mais de 80 passageiros do cruzeiro australiano Greg Mortimer, ancorado no Uruguai, têm o novo coronavírus. Até agora, o governo uruguaio permitiu o desembarque de seis deles “com risco de vida”. Segundo a imprensa local, seriam três australianos, dois filipinos e um britânico. Já os demais passageiros e tripulantes permanecem retidos no navio, ancorado a 20 km do porto de Montevidéu por quase 10 dias. “Dos 126 testes que foram processados, foram detectados 81 casos suspeitos de COVID-19 entre passageiros e tripulação”, informou a empresa australiana Aurora Expeditions, garantindo ao mesmo tempo que há 90 exames pendentes, cujos resultados serão conhecido no mais tardar hoje.

Chile

O governo chileno decretou ontem o uso obrigatório de máscaras em todos os transportes públicos – ônibus, táxis, no metrô de Santiago e também nos poucos voos domésticos que ainda estão em operação no país. Segundo as autoridades de saúde, o Chile já registrou mais de 4,8 mil infectados e ao menos 37 mortes confirmadas pelo novo coronavírus. A medida foi aprovada pelas autoridades de saúde do país e segue as novas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). O Ministério da Saúde chileno forneceu manuais para que a população produza suas máscaras em casa com lenços ou pedaços de roupas de algodão, para tentar driblar a escassez mundial no mercado de EPIs.

Miss Inglaterra

Não há melhor hora para ser Miss Inglaterra e ajudar o país em um momento de necessidade”
Bhasha Mukherjee, a Miss Inglaterra, tinha se afastado da medicina para concorrer ao Miss Mundo e anunciou que voltará aos hospitais para atuar no combate à COVID-19. Especializada em doenças respiratórias, ela estará na linha de frente.

Israel

De hoje até sexta-feira, o governo de Israel cortará as conexões entre as cidades do país para tentar impedir a propagação do novo coronavírus durante a Páscoa judaica, para a qual muitas vezes são realizadas reuniões familiares. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em pronunciamento na televisão, pediu aos israelenses que fiquem em suas cidades e vilas. Além disso, alertou que, na noite de amanhã, durante o jantar do Seder, momento-chave da Pesaj (Páscoa Judaica), apenas pessoas que vivem na mesma casa devem se reunir e que ninguém poderá sair de casa até 7h de quinta-feira. Os israelenses já não podem ir a mais de 100 metros de casa, exceto para ir ao supermercado, farmácia ou hospital.



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