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Estado de Minas

Indústria britânica de apostas esportivas sofre duro golpe com coronavírus


postado em 01/04/2020 10:55

Com a suspensão das competições esportivas devido à crise do coronavírus, a indústria britânica das apostas sofreu um duro golpe. A inatividade do setor pode repercutir nos clubes, devido a seu crescente e polêmico papel de patrocinador do futebol.

Desde o 'Gambling Act', a lei que entrou em vigor em 2007 para autorizar a indústria da jogatina na Grã Bretanha, o setor viveu um crescimento constante. Agora, está ameaçado: sem futebol nem esporte ao vivo, as receitas caíram drasticamente.

Em 2018, o produto bruto dos jogos (PBJ) -valores apostados menos o que os apostadores receberam de premiação- foi de 14.4 bilhões de libras (16.3 bilhões de euros), contra 8.4 bilhões de libras (9.5 bilhões de euros) em 2011.

Em meio a atividades variadas -cassinos online, loteria nacional, raspadinha, cassinos físicos e bingos-, as apostas, esportivas ou não, são as galinhas dos ovos de ouro do setor, com 5.2 bilhões de libras (5.9 bilhões de euros) de PBJ no ano passado. Desse valor, 1.5 bilhão de libras (1.7 bilhão de de euros) vem de apostas com o futebol.

Tudo é possível no mundo das apostas, como mostrou Peter Edwards, que apostou 5 libras (5,6 euros) em 2000 que seu neto de três anos jogaria na seleção galesa de futebol. Em 2013, quando Harry se tornou aos 16 anos o mais jovem jogador a defender o País de Gales, seu avô ganhou 125.000 libras (141.000 euros).

O impacto da suspensão dos jogos de futebol, mas também de rugby e críquete, sem esquecer as corridas de cavalo, outro bastião do mundo das apostas, é violente e imediato.

- 'Muitos irão falir' -

A casa de apostas William Hill, com 53% de sua receita bruta oriunda de apostas esportivas, cancelou o pagamento de dividendos aos acionistas e estima em 110 milhões de libras (120 milhões de euros) o possível impacto da crise de saúde em suas receitas.

A Flutter Entertainement's, empresa que gere a Betfair e a Paddy Power, está ainda mais exposta, com 78% de sua receita procedente de apostas esportivas e um impacto de cerca de 100 milhões de libras em suas contas.

O cancelamento do Grand National, a famosa corrida de cavalos com obstáculos que é disputada perto de Liverpool no início de abril, significará um prejuízo de cerca de 100 milhões de libras, segundo Barry Orr, porta-voz da Betfair.

"Fora os tempos de guerra, nunca havia tido tanta turbulência", garantiu à AFP William Woodhams, presidente da Bookmaker Fitzdares.

"É um duro golpe na industria do esporte e pagaremos o preço por vários anos. É uma verdadeira catástrofe, muitos irão à falência", completou.

- Invasão do espaço -

Apesar da má situação do setor, não se pode esperar simpatia por parte da opinião pública britânica por uma industria muitas vezes criticada pela falta de ação contra o vício e por sua presença cada vez maior no futebol e no rugby.

Na Premier League, a primeira divisão do futebol inglês, metade das equipes (10 de 20) tem uma casa de apostas como principal patrocinador.

A proporção na segunda divisão inglesa, a Championship, é ainda maior, com 17 das 24 equipes estampando uma empresa do setor nas camisas.

O também popular campeonato de rugby de XIII, a SuperLeague, é patrocinado pela Betfred.

Arquibancadas e até estádios inteiros foram rebatizados em homenagem a estas empresas, como o Bet365 Stadium do Stoke City, da Premier League.

O papel desempenhado pelo cassino online 32Red na chegada da lenda do futebol inglês Wayne Rooney ao Derby County (Championship) -concordou em pagar parte do salário do jogador, que passou a usar a camisa 32- foi visto como uma violação da lei de competência.

O setor foi excluído do plano de ajuda do governo britânico para salvar empregos.

A rede de 8.300 casas de apostas na Grã Bretanha e os 50.000 empregos que geram poderiam pagar um duro imposto nestes tempos de coronavírus.

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