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Estado de Minas

Nova York recebe navio-hospital militar enquanto pandemia acelera nos EUA


postado em 30/03/2020 20:55

Nova York recebeu nesta segunda-feira (30) um navio-hospital militar de 1.000 leitos, enquanto a pandemia continua a se espalhar pelos Estados Unidos, levando o presidente Donald Trump a estender as recomendações de confinamento até o final de abril.

O "USNS Comfort", equipado com 12 salas de cirurgia e uma equipe de 1.200 médicos e enfermeiros, chegou ao porto de Nova York para ajudar a aliviar os hospitais da cidade, saturados pelo fluxo constante de pacientes com coronavírus, confirmou a AFP.

Sua chegada ocorre em um momento em que a Virgínia, Maryland e a capital, Washington, decidiram restringir a circulação de seus cidadãos, o que significa que quase três quartos dos americanos agora vivem ou estão prestes a viver com restrições de níveis diferentes.

Trump alertou no domingo que a taxa de mortalidade nos Estados Unidos aumentará nas próximas duas semanas, classificando como "terríveis" as estimativas do principal cientista da pandemia, Anthony Fauci, de que "milhões" de americanos serão infectados pelo vírus e até 200.000 vão morrer.

A cidade de Nova York, com mais de 33.000 casos de coronavírus e 790 mortes, está correndo contra o relógio para aumentar leitos hospitalares, equipamentos e pessoal médicos antes de atingir o pico da doença.

"Este vírus está à nossa frente desde o primeiro dia", disse o governador de Nova York, Andrew Cuomo, ao canal televisão MSNBC nesta segunda-feira.

Ele estimou que em duas a quatro semanas a cidade atingirá seu número máximo de casos. "Preparem-se para o ápice. Tenham os materiais para o ápice. É quando o sistema entrará em colapso", alertou Cuomo.

O navio receberá pacientes que necessitam de cuidados intensivos não relacionados ao vírus para permitir que os hospitais se concentrem nos pacientes de Covid-19.

O prefeito da cidade, Bill de Blasio, disse que a chegada do navio "para ajudar Nova York no momento em que nossa cidade precisa, é muito importante".

"É muito emocionante para todos nós, precisamos de ajuda", acrescentou.

Os Estados Unidos são o país com os casos mais confirmados da doença, acima de 160.000, com mais de 2.950 mortes, segundo contagem da Universidade Johns Hopkins.

Dessas mortes, mais de 1.200 ocorreram no estado de Nova York.

Os estados mais afetados são Nova York, de longe o mais atingido, Louisiana, Illinois e Flórida.

O governador deste último, Ron DeSantis, disse nesta segunda que não quer que passageiros dos navios de cruzeiro "Zaandam" e "Rotterdam", que incluem quatro mortos e pessoas com sintomas de coronavírus, "perambulem" por seu estado. As embarcações navegam pelo Caribe rumo a Fort Lauderdale, no sul do estado.

Nova York também inaugura nesta segunda-feira um hospital de emergência temporário no centro de conferências Jacob Javits, com capacidade para 2.900 camas e outro na terça-feira no Central Park.

Quatro outros locais da cidade foram aprovados para prestar atendimento temporariamente e descongestionar hospitais, sobrecarregados nos últimos dias pelo fluxo de pacientes com o coronavírus.

- "Dia D em Nova York" -

Voos organizados pela agência federal de gerenciamento de emergências, FEMA, começaram a chegar ao Aeroporto Internacional JFK de Nova York com milhões de máscaras, roupas de proteção e termômetros.

O prefeito da cidade, Bill de Blasio, disse que Nova York precisa de mais de 400 respiradores antes do fim da semana e descreveu o próximo domingo com o "Dia D".

"Estamos tentando reutilizar o que podemos porque nunca se sabe quando vai acabar", disse o médico Peter Liang, de 38 anos, à AFP, referindo-se ao aprovisionamento no hospital de Manhattan onde trabalha.

A Casa Branca disse que cerca de 50 voos estão planejados no total nesta operação, apelidada de "Projeto Ponte Aérea".

Virgínia e Maryland, vizinhas da capital Washington, se tornaram os últimos estados do país nesta segunda-feira a restringir o movimento de seus moradores. Agora, três quartos da população dos EUA, com mais de 330 milhões de pessoas, está sob alguma forma de quarentena.

Trump cancelou os planos de acabar com o isolamento em grande parte do país por volta de 12 de abril, quando os principais cientistas de sua equipe de combate a coronavírus lhe mostraram projeções de mortes nas próximas semanas.

Quanto mais os americanos cumprirem as recomendações de emergência e ficarem em casa, "mais rápido esse pesadelo terminará", disse o presidente.

"Nada seria pior do que declarar a vitória antes de conquistá-la", afirmou, esperando que o país "esteja em vias de se recuperar" por volta de 1º de junho.

O presidente disse à Fox News nesta segunda-feira que espera que os casos atinjam o pico até a Páscoa e que depois disso começarão a cair.

"Esse será um dia para comemorar. Queremos fazer isso direito", disse.

Segundo Fauci, não houve nenhum problema em convencer Trump a estender as recomendações para além de 12 de abril.

"Ele analisou os dados e entendeu imediatamente. Era uma imagem bastante clara", contou à CNN nesta segunda-feira.

O presidente dos EUA inicialmente minimizou a pandemia e depois oscilou entre um tom sombrio na evolução da situação e uma vontade de reviver a economia rapidamente, enquanto o número de pessoas desempregadas excede três milhões, devendo aumentar nas próximas semanas.

Neste mês, um recorde de 3,3 milhões de americanos pediram seguro-desemprego, a cifra mais alta já registrada.


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