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Estado de Minas

O calvário de uma mãe pela morte da filha de 16 anos por coronavírus

"Ela tinha apenas uma tosse" no começo, disse a mãe, que sentiu a dor de ver a vida da filha acabar em poucos dias


postado em 28/03/2020 04:00

A morte da adolescente parisiense Julie comprova que a COVID-19 não mata só idosos(foto: Arquivo pessoal)
A morte da adolescente parisiense Julie comprova que a COVID-19 não mata só idosos (foto: Arquivo pessoal)

 
Tudo começou com uma tosse aparentemente comum, conta a mãe de Julie A., que morreu após contrair o novo coronavírus em Paris. Ela tinha 16 anos. "É insuportável", afirma Sabine, a mãe da adolescente. Ela fala a toda velocidade sobre a "comoção de perder a filha, o sentido da vida" e a obrigação de "continuar".
 
"Ela tinha apenas uma tosse", conta Sabine, moradora do subúrbio de Paris. Uma tosse que parecia comum, iniciada há uma semana e que ela tentou curar com xarope, plantas e nebulização. No sábado, Julie, sem problemas de saúde, começou a sentir falta de ar. "Não muito, ela tinha dificuldades para recuperar o fôlego", recorda a mãe. Depois vieram os ataques de tosse. Na segunda-feira, ela levou a filha ao médico.
 
No consultório, o médico da família observou uma deficiência respiratória "aceitável". Ele decidiu ligar para o serviço de emergência, mas os bombeiros foram enviados ao local. Trajes de proteção, máscaras, luvas, "parecia a quarta dimensão", recorda a mãe. Eles levaram a adolescente, com uma máscara de papel debaixo da máscara de oxigênio, ao hospital mais próximo, em Longjumeau, na área metropolitana de Paris.
 
Sabine voltou para casa. Quando ligou para o hospital um pouco mais tarde, foi informada sobre um exame de tomografia, sobre opacidades pulmonares, "nada grave". Um exame da COVID-19 estava sendo realizado. Mas durante a noite, Julie foi transferida, com insuficiência respiratória, para o hospital pediátrico Necker de Paris. Ela passou por mais dois testes de COVID-19.
 
Julie foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva na terça-feira. Como tinha 16 anos, ainda foi atendida na pediatria". Ao visitar a filha durante a tarde, Sabine a encontra ansiosa. Ela falava pouco, se cansava rapidamente. "Meu coração dói", disse. Os resultados dos dois últimos exames da COVID-19 representaram boas notícias: negativos.
 
"Abrimos a porta do quarto, as enfermeiras já não usavam o traje, o médico levanta o polegar para dizer que é um bom sinal". Julie parecia fora de perigo. Durante a tarde, Sabine retorna para casa e promete retornar no dia seguinte. No início da noite, ela recebe uma ligação: o resultado do primeiro exame feito no hospital de Longjumeau acabara de chegar. Julie deu positivo para COVID-19 e seu estado é cada vez mais grave. Ela precisava ser entubada.
 
"Não conseguíamos acreditar. Pensamos que eles estavam equivocados. E por que estes resultados chegaram tão tarde?", questionou Sabine. "Desde o início, nos falaram que o vírus não afeta os jovens. Nós acreditamos, como todos", conta Manon, irmã mais velha de Julie. Às 0h30 recebem outra ligação: "Venham, rápido!". "Naquele momento, senti pânico", afirma Sabine. De acordo com o diretor-geral de Saúde, Jérôme Salomon, que anunciou a morte da adolescente na quinta-feira à noite, Julie sofreu uma forma grave do vírus, algo "extremamente raro" entre os jovens.
 
"Ela já estava cinza", recorda Sabine. Quando chegou ao hospital com a filha mais velha à 1h da madrugada de quarta-feira, Julie já estava morta. Ela pegou a mão da adolescente, "a pele ainda estava quente". A irmã fez carinho no rosto. Em seguida, receberam a notícia que não a veriam novamente. O protocolo em tempos de pandemia é rígido. Também não foram autorizadas a recuperar os pertences de Julie. Tudo deveria ser incinerado. 
 
(foto: afp)
(foto: afp)
 
Boris Johnson e seu ministro 
da Saúde têm coronavírus

O primeiro-ministro Boris Johnson e seu ministro da Saúde, Matt Hancock, testaram positivo para o coronavírus ontem e, embora ambos afirmem ter "sintomas leves", cresce o temor de que a doença se espalhe pelo executivo britânico. "Agora estou em quarentena, mas continuarei liderando a resposta do governo por videoconferências, enquanto combatemos este vírus, juntos o venceremos", afirmou Johnson, de 55 anos, no Twitter em um vídeo em que aparece com aspecto de gripe. 

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