Jornal Estado de Minas

Mercados voltam a cair, preocupados com o avanço do coronavírus nos EUA

Muito preocupados com a aceleração da pandemia de coronavírus, especialmente nos Estados Unidos, os mercados voltaram a cair nesta sexta-feira (27), deixando para trás o otimismo que as medidas de apoio dos governos e bancos centrais haviam incutido.



Embora os índices na Ásia tenham fechado no positivo, seguindo o exemplo de Wall Street no dia anterior, com a bolsa de Tóquio em alta de 3,88%, os mercados na Europa iniciaram a sessão com perdas.

Às 06h15, Paris caía 2,75%, Londres 3,83% e Frankfurt 1,76%. As bolsas de valores de Milão e Madri, os países mais afetados pela pandemia na Europa, caíam 1,62% e 2,06%, respectivamente.

"Não é uma surpresa em um contexto tão incerto, com um número de infecções nos Estados Unidos mais elevado do que na China", disse Michael Hewson, analista da CMC Markets.

Estados Unidos contabilizavam na quinta-feira à noite o maior número de casos oficialmente declarados de coronavírus do que qualquer outro país do mundo, à frente da China e da Itália. O país também registrou um aumento recorde no número de pedidos de seguro-desemprego.

A pandemia continua a avançar no resto do planeta, com mais de meio milhão de infectados, e suas consequências para a economia mundial não param de se multiplicar.

Os mercados de ações europeus conseguiram uma recuperação na quinta-feira, impulsionados pelas iniciativas dos bancos centrais e Estados para tentar combater a devastação da COVID-19 nas economias.



- Planos de apoio -

Nos Estados Unidos, o Senado votou em um plano "histórico" de US$ 2 trilhões, que ainda deve ser aprovado nesta sexta-feira pela Câmara de Representantes, controlada pelos democratas, antes de ser promulgado pelo presidente Donald Trump.

O presidente do Federal Reserve (Fed) também prometeu na quinta-feira que a instituição continuaria a emprestar dinheiro "agressivamente" para combater o impacto econômico da pandemia, em uma entrevista ao vivo. Essas declarações incutiram otimismo nos mercados.

Os líderes dos 20 países mais industrializados do mundo prometeram injetar mais de US$ 5 trilhões na economia para "combater os impactos sociais, econômicos e financeiros da pandemia", segundo anunciaram na quinta-feira em uma reunião virtual de emergência presidida por Riade.



A Alemanha também lançou um plano de resgate de cerca de 1,1 trilhão de euros, uma medida "sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial", nas palavras do ministro das Finanças, Olaf Scholz.

Nesta sexta também houve um sinal de conciliação entre Pequim e Washington, após uma série de ataques verbais entre as duas potências nos últimos dias em torno da pandemia.

O presidente chinês, Xi Jinping, disse nesta sexta-feira em uma conversa por telefone com seu colega americano Donald Trump que os dois países, apesar de sua rivalidade, "devem se unir contra a epidemia" de COVID-19, informou um veículo oficial.

"Agora que os mercados responderam positivamente aos planos excepcionais apresentados pelas autoridades nos últimos dias, acreditamos que o aumento nos índices se manterá", disse Tangi Le Liboux, especialista da Aurel BGC.

Os preços do petróleo, que caíram na quinta-feira, estavam subindo nesta sexta-feira às 03h45. O preço do barril WTI, referência nos Estados Unidos, subia 1,81%, para US$ 23,01, e o do barril de Brent do Mar do Norte aumentava 0,23%, para US$ 26,4.

O euro era cotado a US$ 1,1041, quase o mesmo valor de quinta-feira às 16h00.