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Estado de Minas

Grupos de extermínio na Colômbia usam quarentena para matar líderes socialistas

Desde 6 de março, quando foi registrado o primeiro caso de COVID-19 no país, houve quatro assassinatos


postado em 25/03/2020 10:38

(foto: JOAQUIN SARMIENTO / AFP)
(foto: JOAQUIN SARMIENTO / AFP)

Ativistas colombianos denunciaram que grupos de extermínio estão aproveitando a quarentena do coronavírus no país para assassinar líderes socialistas em zonas rurais, segundo jornais locais e o britânico The Guardian.

Desde que foi registrado o primeiro caso no país, no dia 6 de março, já ocorreram quatro assassinatos

 

Segundo eles, as mortes foram surgindo à medida que as cidades passavam a adotar as ordens restritivas impostas na Colômbia para tentar evitar a propagação do vírus. A partir de quarta-feira, 25, o país entrará em quarentena nacional e os ativistas temem que esse número possa aumentar. 

 

Somente na última quinta-feira, dia 19, três defensores dos direitos humanos foram assassinados nos Departamentos de Antioquia, Santander e Putumayo, segundo o jornal El Espectador.

 

O caso de maior destaque é o do ativista Marco Rivadeneira, um líder agrário de Putumayo. De acordo com o jornal, ele foi sequestrado e depois executado a tiros. Ángel Ovidio Quintero foi morto na região ocidental de Antioquia e Ivo Humberto Bracamonte, em Santander. 

 

A Colômbia é um dos países mais perigosos para ativistas e líderes comunitários, que regularmente acabam vítimas dos grupos armados na antiga luta por território. 

 

Desde que o histórico acordo de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foi implementado no início de 2017, 271 ativistas foram assassinados, de acordo com o Guardian. Agora que o governo concentra todos os seus esforços para conter a pandemia, ativistas afirmam que o risco está ainda maior.

 

O primeiro a ser assassinado em meio à nova crise foi Alexis Vergara, membro atuante do Sindicato de Trabalhadores do Engenho La Cabaña, no norte de Cauca. No dia 8 de março, ele recebeu três disparos de homens desconhecidos que o cercaram perto de seu trabalho, na zona rural de Caloto. 

 

O jornal Espectador afirmou que um porta-voz da Federação dos Trabalhadores do Valle del Cauca lembrou que apesar de Vergara nunca ter tido recebido ameaças diretas, seu pai é o presidente do sindicato do qual ele fazia parte e um importante ativista pela defesa dos direitos dos trabalhadores da cana-de-açúcar. 

 

"Eu tenho recebido mais ameaças de morte desde que se começou a falar sobre o coronavírus", disse o ativista Carlos Paez ao jornal Guardian. "Uma das ameaças que eu recebi dizia que eles sabiam quem eu era e agora era a hora de acabar comigo." 

 

Alguns dos grupos de extermínio são combatentes dissidentes das Farc que se recusaram a entregar as armas; outros, pertencem a pequenos grupos armados e milícias paramilitares de direita. 

 

Independente da inclinação ideológica desses grupos, todos fazem dinheiro com o tráfico de drogas, extração de minério ilegal e extorsão - e todos eles veem os líderes socialistas como um obstáculo para suas lucrativas atividades econômicas. 

 

Como explica o Guardian, com o foco do governo nos recursos para conter o coronavírus - que até esta terça-feira já deixou 3 mortos e 277 casos confirmados - protocolos normais de segurança estão todos em desordem

 

Estima-se que a guerra da Colômbia com as Farc e outros grupos armados tenha deixado ao menos 260 mil mortos e forçado 7 milhões a deixaram suas casas em meio século. Agora que o país já cumpre medidas restritivas e se prepara para entrar em uma quarentena nacional de 19 dias, atores paralelos estão operando mais livremente. 

 

Uma coalizão de ONGs locais e mais de 100 comunidades rurais pediram um cessar-fogo entre grupos armados durante o surto. "A situação de emergência merece nosso foco como país e como sociedade para enfrentar esse desafio", dizia o comunicado, de acordo com o Guardian.

 

Muitos líderes e ativistas acusaram o presidente Iván Duque de não fazer o suficiente para reprimir o derramamento de sangue. Eles não estão otimistas de que a situação mudará à medida que o vírus se espalhar. 

 

O que é o coronavírus?

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.

 

Como a COVID-19 é transmitida?

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia


Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o coronavírus é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Para saber mais sobre o coronavírus, leia também:

 

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