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Estado de Minas COVID-19

Itália bate novo recorde de mortes pelo coronavírus em 24 horas

Nessa sexta (20), a Itália registrou 627 mortes, chegando ao total de 4.032 entre os seus 47 mil infectados, em sua maioria idosos ou pessoas com outras patologias


postado em 21/03/2020 04:00 / atualizado em 21/03/2020 11:34

A idade média da população, organização de saúde e método de contagem dos contaminados são fatores que influenciam no grande número de mortos na Itália(foto: Piero Cruciatti/AFP)
A idade média da população, organização de saúde e método de contagem dos contaminados são fatores que influenciam no grande número de mortos na Itália (foto: Piero Cruciatti/AFP)

A Itália voltou a bater um triste recorde nessa sexta-feira (20). A pandemia de coronavírus matou 627 pessoas no país em 24 horas, elevando a 4 mil o número de mortes na península. É o país mais afetado pela COVID-19 no mundo.

O número total de mortes é de 4.032, em 47.021 infectados. A Itália representa agora 36,6% de todas as mortes pelo vírus no planeta. A região da Lombardia, onde os hospitais estão lotados, continua pagando o preço mais alto, com mais 381 mortes (2.549 no total). Foram detectados no país cerca de 6 mil novos casos, um número inédito.

A Itália tem mais de 66 mortos por um milhão de habitantes, uma proporção que chega a mais de 250 na Lombardia, principal zona econômica do país.

O recorde mundial de mortes pelo novo coronavírus da Itália, o primeiro foco europeu da pandemia, está ligado a vários fatores, segundo os cientistas: idade média da população, organização de saúde e método de contagem dos contaminados e falecidos. O novo coronavírus, que afeta mais seriamente os idosos ou pessoas com outras patologias, mata os mais doentes da Itália, o país com mais idosos no mundo depois do Japão.

Balanço

Segundo o balanço oficial, a Itália tem 47.021 infectados pelo coronavírus e 4.032 mortes, o que dá uma taxa de mortalidade de casos em torno de 8,5%. “Encontramos uma mortalidade consideravelmente maior em países com populações mais velhas em relação aos países mais jovens”, disse a demógrafa e professora de saúde pública Jennifer Downd.

Em seu trabalho publicado no site do Fórum Econômico Mundial, a pesquisadora da Universidade de Oxford apontou uma “poderosa interação entre demografia e mortalidade por COVID-19. Downd ressalta que as medidas de distanciamento social projetadas para conter a transmissão de vírus devem considerar “a composição da população por idade, contextos locais e nacionais e os laços sociais entre gerações”.

Para combater a pandemia, ela sugere, portanto, garantir “que o vírus não entre em contato com pessoas mais velhas, para as quais pode facilmente ser fatal”. Na Itália, “a família numerosa é um dos pilares da sociedade em que os avós vão pegar os netos na escola, cuidar deles, talvez fazer compras para os filhos de 30 a 40 anos, expondo-se perigosamente ao contágio”.

Os especialistas também questionam o fato de que a Itália foi logo atingida pela pandemia, imediatamente após a China. “Quando perguntado por que a Itália, eu respondo que não há uma razão específica”, afirmou o professor Yascha Mounk, da Universidade Americana Johns Hopkins. “A única diferença é que o contágio chegou lá cerca de 10 dias antes da Alemanha, nos Estados Unidos, no Canadá, e se esses países não reagirem rápida e decisivamente, se tornarão o que a Itália é hoje”, alerta.

Alguns especialistas também consideram que o país foi pego “de surpresa”, sem tempo para se preparar, ao contrário de seus vizinhos. Os serviços hospitalares foram rapidamente saturados e os médicos tiveram que escolher quem tratar, como revelaram vários testemunhos publicados pela imprensa.

Especialistas apontam que o rápido aumento da fatalidade de casos COVID-19 na Itália, especialmente na Lombardia, foco da pandemia na península, é uma consequência do número sem precedentes de pacientes que necessitam de terapia intensiva simultânea, que também tem duração média de várias semanas. Nessas condições críticas, é dada prioridade aos pacientes com melhores chances de sobrevivência, o que significa que a qualidade do atendimento diminui, apesar do sistema de saúde da Lombardia ser considerado eficaz.

RECONTAGEM

Segundo especialistas, a alta taxa de letalidade na Itália também é explicada pela política de detecção que, segundo o governo, deve ser realizada “apenas em pessoas sintomáticas”. Essa decisão exclui pessoas potencialmente positivas que não apresentam sintomas.

Esse não é o caso de países que, como a Alemanha ou a Coreia do Sul, optaram por um sistema que permite detectar muitas pessoas infectadas, embora quase não apresentem sintomas. Como consequência, a taxa de mortalidade diminuiu com a contagem do número de casos leves. Por outro lado, a Itália optou por incluir no número total de mortes os pacientes que morreram de COVID-19 e os que tiveram resultado positivo para o coronavírus, mas morreram de outra patologia, uma política que não é necessariamente a de outros países.
Na estação de trem em Madri, na Espanha, funcionário do governo desinfeta o caminho por onde os passageiros passam(foto: Baldesca Samper/AFP)
Na estação de trem em Madri, na Espanha, funcionário do governo desinfeta o caminho por onde os passageiros passam (foto: Baldesca Samper/AFP)

Mais de 11 mil mortos no mundo


O novo coronavírus causou pelo menos 11.129 mortes em todo o mundo desde seu surgimento em dezembro. Desde o início da epidemia, mais de 258.930 casos de contágio foram registrados em 163 países ou territórios. Em 24 horas, os países que registraram mais mortes foram a Itália, com 627 novas mortes, Espanha (235) e Irã (149).

O número de mortos na Itália, que registrou sua primeira morte ligada ao vírus no final de fevereiro, é de 4.032. O país registrou 47.021 infecções. Desde ontem, 627 mortes e 5.986 novas infecções foram registradas. As autoridades italianas consideram que 5.129 pessoas se curaram.

A China continental (sem contar Hong Kong e Macau), onde a epidemia eclodiu no fim de dezembro, tem um total de 80.976 pessoas infectadas, das quais 3.248 morreram e 71.150 foram completamente curadas. Ontem, 48 novos casos e três óbitos foram registrados.

Depois da Itália e da China, os países mais afetados são o Irã, com 1.433 mortes e 19.644 casos, a Espanha com 1.002 mortes (19.980 casos), a França com 450 mortes (12.612 casos) e os Estados Unidos com 205 mortes (14.250 casos).

Na quinta-feira, Peru, Sérvia e Gabão anunciaram as primeiras mortes ligadas ao novo coronavírus em seu território. O Haiti, as Ilhas Virgens dos EUA, Santa Lúcia, Cabo Verde e Madagascar também diagnosticaram seus primeiros casos.

Ontem, a Europa contabilizou 122.707 infecções (5.976 mortes), a Ásia 94.735 (3.432), o Oriente Médio 22.110 (1.452), Estados Unidos e Canadá 14.927 (214), América Latina e Caribe 2.633 (25), Oceania 917 (7) e África 907 (23). O balanço é feito tendo como base dados das autoridades nacionais e informações da Organização Mundial da Saúde (OMS).


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