Jornal Estado de Minas

OMS adverte sobre escassez de máscaras com avanço do coronavírus

Vários países tentavam controlar suas reservas de máscaras e equipamentos de proteção, essenciais para os profissionais de saúde que combatem a epidemia de coronavírus, nesta quarta-feira, após o alerta da OMS de que os estoques estão diminuindo rapidamente.



A doença, que apareceu na China, se espalha diariamente para novos países. Além da China, os mais afetados são agora Irã, Itália e Coreia do Sul.

Na Itália, o número de mortos chegou a 79 pessoas na terça-feira, com mais de 2.500 infectados. Um grupo de turistas italianos ficou em quarentena na Índia, com 17 casos positivos.

Na China, o número de novas infecções parece ter diminuído e nesta quarta-feira o país registrou queda pelo terceiro dia consecutivo.

Mais de 90.000 pessoas estão infectadas no mundo e outras 3.200 morreram. O Iraque anunciou seu primeiro morto nesta quarta-feira e 92 morreram no vizinho Irã.

A taxa de mortalidade é de cerca de 3,4%, muito mais alta do que a da gripe sazonal, menos de 1%, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A maioria dos casos e mortes até o momento aconteceu na China, onde dezenas de milhões de pessoas estão em quarentena.



As infecções, contudo, aumentam mais rapidamente fora da China e estão levando muitos países a cancelar todos os tipos de eventos públicos.

Em Paris, o famoso Museu do Louvre reabriu após três dias fechado. Nos Estados Unidos foram anunciadas nove mortes relacionadas a um caso em uma residência em Seattle e o número total de infecções passa de 100.

A OMS teme que a escassez de máscaras, óculos e outros equipamentos de proteção para os trabalhadores da saúde, como resultado do "aumento da demanda, acúmulo ou abuso".

"Não podemos parar a covid-19 sem proteger os profissionais de saúde", disse o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a repórteres em Genebra (Suíça).

Ele também disse que os preços das máscaras multiplicaram por seis e os dos respiradores por três.

Tedros disse que a OMS enviou mais de meio milhão de kits de material de proteção para 27 países, mas alertou que "os suprimentos estão acabando rapidamente".



A falta de equipamentos na China causou o contágio de milhares de profissionais de saúde e a morte de dezenas deles, o que está levando ao reaproveitamento de fábricas de fraldas, jaquetas e telefones celulares para a produção de máscaras e roupas de proteção.

- Compras compulsivas -

Em Seul (Coreia do Sul), pelo menos 500 pessoas fizeram fila em um supermercado na quarta-feira para comprar máscaras e o presidente sul-coreano Moon Jae-in pediu desculpas pela falta do produto.

A Coreia do Sul fabrica 10 milhões de máscaras por dia e o governo ordena que os fabricantes entreguem metade de sua produção em correios, farmácias e cooperativas agrícolas para vender a um preço fixo reduzido, em uma quantidade máxima de cinco unidades por pessoa.

O vírus infectou mais de 5.600 pessoas e matou 32 na Coreia do Sul, onde há mais casos novos diariamente do que na China.

Pequim anunciou 38 novas mortes na quarta-feira, mas apenas 119 novos casos, o menor número desde janeiro. A maioria das infecções ocorre em Hubei, província do centro do país em cuja capital, Wuhan, o coronavírus apareceu em dezembro.



Até o momento a China registrou 2.981 mortes e mais de 80.000 casos.

Na Indonésia, a polícia confiscou 600.000 máscaras em um armazém na região de Jacarta, capital, depois que os primeiros casos no país foram confirmados.

Alemanha e Rússia decidiram proibir a exportação de material médico para garantir que suas equipes de saúde possam cuidar dos doentes.

Na Itália, Luigi D'Angelo, diretor do Departamento de Proteção Civil, disse à AFP que o país, onde não se fabricam máscaras, importaria 800.000 da África do Sul, mas o país precisa de pelo menos outros 10 milhões.

Na França, onde 2.000 máscaras foram roubadas de um hospital, o presidente Emmanuel Macron anunciou na terça-feira que seu governo exigirá que a produção seja reservada aos trabalhadores da saúde e aos doentes.

Na China, um alto funcionário do Ministério da Indústria, por sua vez, pediu às empresas de material de proteção que aumentassem sua produção e exportação, porque a demanda em Hubei já está sendo atendida.

Em nível econômico, organizações internacionais tentam conter o impacto da epidemia de coronavírus.

O Federal Reserve (Fed, banco central) dos Estados Unidos cortou suas taxas de juros de referência na terça-feira em 0,5 ponto-base para apoiar a economia, mas os mercados não reagiram e o Dow Jones acabou perdendo quase 3%.