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Estado de Minas

Inquietação fora da China após morte dos primeiros europeus por coronavírus


postado em 22/02/2020 14:13

A morte de duas pessoas por coronavírus na Itália, as primeiras vítimas fatais europeias, gerou uma grande preocupação em um momento no qual os contágios aumentam fora da China e a OMS defende uma mobilização mais intensa contra a epidemia, que já afetou 77.000 pessoas no mundo.

Para complicar o cenário, fontes do governo dos Estados Unidos acusaram a Rússia de orquestrar uma campanha de desinformação sobre o coronavírus.

As vítimas italianas são um pedreiro aposentado de 78 anos e uma idosa que não teve a identidade revelada. Ambos estavam hospitalizados há vários dias em duas cidades do norte do país por outros problemas de saúde, mas apresentaram resultado positivo para exames do novo coronavírus.

A Itália registrou até o momento 39 casos de infectados por esta epidemia, sendo 32 na Lombardia e sete na área de Veneto. Na região norte do país, mais de 10 cidades adotaram medidas de confinamento para evitar a propagação do vírus.

A primeira pessoa que morreu na Europa depois de contrair o COVID-19 foi um turista chinês procedente da província de Hubei (centro), berço da epidemia em dezembro. O homem de 80 anos faleceu em Paris no dia 14 de fevereiro.

Fora da China continental (sem incluir Hong Kong e Macau) foram confirmados mais de 1.300 casos de contágio, em especial na Coreia do Sul e no cruzeiro "Diamond Princess", no Japão.

"A epidemia entrou em uma fase grave e o governo faz todo o possível para prevenir a propagação", afirmou o primeiro-ministro sul-coreano Chung Sye-kyun.

A Coreia do Sul anunciou a segunda morte provocada pela doença e o número de infectados aumentou pelo segundo dia consecutivo, com 229 novos casos, o que eleva o total no país a 433.

Entre os novos pacientes diagnosticados, 95 estão vinculados a um hospital de Cheongdo (sul), onde a seita cristã "Igreja de Jesus Shincheonji" organizou funerais.

Mais de 150 fiéis desta seita foram infectados nas cerimônias religiosas por uma mulher de 61 anos que não sabia que havia contraído a pneumonia viral.

- Washington critica Moscou -

Milhares de contas ligadas à Rússia no Twitter, Facebook e Instagram propagam desinformação contra os Estados Unidos sobre o novo coronavírus que surgiu na China, afirmaram fontes do governo americano à AFP.

As contas promovem teorias da conspiração, como por exemplo que o vírus foi produzido nos Estados Unidos, em uma tentativa de prejudicar a reputação americana, quando a epidemia já afeta 26 países.

Identidades falsas estão sendo utilizadas no Twitter, Facebook e Instagram para promover os argumentos e conspirações russas, incluindo a teoria de que a CIA está por trás do vírus, que já matou mais de 2.300 pessoas, principalmente na China.

"A intenção da Rússia é semear a discórdia e minar as instituições e alianças dos Estados Unidos por dentro, inclusive por meio de campanhas acobertadas e coercitivas de influência maligna", afirmou o subsecretário de Estado interino para Europa e Eurásia, Philip Reeker.

"Ao divulgar desinformação sobre o coronavírus, os agentes malignos russos voltam a optar por ameaçar a segurança pública ao distrair a resposta global de saúde", disse.

- Pouca margem de manobra -

O medo aumenta na Europa e a Organização Mundial da Saúde (OMS) não esconde a preocupação com a dificuldade de conter a propagação do vírus.

O diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um alerta na sexta-feira em Genebra.

"Ainda estamos em uma fase na qual é possível conter a epidemia. Mas a margem de manobra está diminuindo", advertiu, ao mesmo tempo que lamentou a falta de apoio financeiro internacional.

Os focos de coronavírus não param de aumentar: neste sábado foi registrada outra morte no Irã, o que eleva a cinco o total de falecimentos no país. Na sexta-feira foram registrados os primeiros casos de contágio no Líbano e em Israel.

- Dúvidas persistem -

No Japão, mais de 100 turistas que tiveram contato direto com pessoas infectadas no cruzeiro "Diamond Princess" começaram a desembarcar neste sábado.

Os membros da tripulação do navio ainda a bordo começarão uma quarentena de 14 dias.

Mas persistem as dúvidas sobre os métodos utilizados pelas autoridades de saúde nipônicas. Durante a semana, após exames que aparentemente deram resultado negativo, o país permitiu o desembarque de 970 pessoas, incluindo dois australianos e uma israelense que foram declarados portadores do vírus quando retornaram a seus países.

O "Diamond Princess" é o maior foco de contágio fora da China. Dos 3.711 passageiros que estavam inicialmente a bordo, mais de 630 contraíram o coronavírus.

O comitê de organização dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 - programados para acontecer entre 24 de julho e 9 de agosto - anunciou neste sábado o adiamento da formação dos voluntários por medidas de precaução, mas garantiu que o evento não será afetado.

- Redução na China -

Na China continental, o país mais afetado pela pneumonia viral e onde já foram registradas 2.345 mortes, a epidemia parece que perdeu força. As autoridades anunciaram 109 falecimentos neste sábado, contra 118 na véspera.

O número diário de casos de contágio também continua em queda, com 400 novos infectados neste sábado, contra quase 900 na sexta-feira. O total de infectados na China continental se aproxima 76.000.

Em uma carta de agradecimento à fundação Bill e Melinda Gates por seu apoio financeiro no combate à epidemia, o presidente chinês Xi Jinping afirma que seu país está em "um momento crítico", informou neste sábado a agência Xinhua.

As autoridades chinesas, porém, minimizam o impacto a longo prazo da epidemia sobre a economia do país, paralisada por áreas em quarentena, estradas bloqueadas e falta de mão de obra.

Nos últimos dias, várias autoridades exibiram com orgulho a reabertura de fábricas, uma tentativa de demonstrar que o país volta a funcionar.

Os ministros das Finanças e os presidentes dos Bancos Centrais dos países do G-0 se reunira, em Riad para debater as repercussões da epidemia na economia mundial.


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