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Estado de Minas

França faz apreensões recordes de cocaína da América do Sul


postado em 04/02/2020 13:07

Meia tonelada de cocaína da Colômbia descoberta em um carregamento de bananas e 700 quilos de cocaína do Brasil em uma caixa de madeira exótica: desde janeiro, o novo escritório antinarcóticos francês registrou uma série inédita de apreensões de drogas da América do Sul.

A pista que chegou ao escritório de controle de narcóticos estava correta. Em 24 de janeiro, ao abrir um contêiner que supostamente continha madeira exótica, a polícia encontrou 720 quilos de cocaína.

Escondida em um palete de tábuas de madeira, a droga deixou o Brasil, passou pelo porto da Antuérpia (Bélgica) - a principal porta de entrada da cocaína na Europa - e desembarcou em uma empresa de carpintaria de Montussan, uma pequena região francesa perto de Bordeaux (sudoeste).

Os agentes prenderam três suspeitos dos subúrbios de Lyon (sudeste) que apareceram para recuperar a carga.

Em seu carro roubado, encontraram três armas automáticas e dois rifles de assalto. Uma apreensão "importante" para o novo escritório responsável pela luta contra as drogas (OFAST). E a segunda do dia.

Algumas horas antes, seus agentes descobriram meia tonelada de cocaína em um carregamento de bananas da Colômbia no mercado atacadista de Rungis, nos arredores de Paris.

"Em alguns dias, apreendemos cerca de 1,5 tonelada de cocaína", disse à AFP Stéphanie Cherbonnier, chefe deste novo serviço, criado para substituir o Escritório Central responsável pela supressão do narcotráfico (Ocrtis), cuja reputação fora marcada por escândalos.

A essas duas apreensões foi adicionada a descoberta de 106 quilos de cocaína na região de Paris e a prisão de mulas da Guiana, um território francês na América do Sul. Esses transportadores de drogas são detidos quase diariamente nos aeroportos da capital francesa.

Isso sem contar a descoberta, em 27 de janeiro, de 400 quilos de pó em Gennevilliers, subúrbio ao norte de Paris, ligada à apreensão em Rungis.

Para o OFAST, o ano de 2020 começou com uma série inédita de apreensões.

"Essas apreensões refletem o estado da ameaça relacionada às drogas. É extremamente alta, principalmente no que diz respeito à cocaína, mas também no que diz respeito a outros produtos", afirmou Cherbonnier.

Os números das apreensões realizadas em 2019 ainda não foram divulgados, mas tudo indica que eles continuarão subindo. Em 2018, foram apreendidas 100 toneladas de maconha (+18%), 16,4 toneladas de cocaína (17,5 em 2017, ano recorde) e 871 quilos de heroína.

Essas apreensões também são resultado de uma produção que atinge níveis sem precedentes.

Somente no caso da cocaína, estima-se que os três principais produtores, Bolívia, Peru e especialmente a Colômbia, dobraram seus volumes entre 2016 e 2018, atingindo cerca de 2.000 toneladas por ano.

A Europa é um grande mercado para esta droga. Em 2019, as apreensões de cocaína no porto de Antuérpia atingiram um recorde: quase 62 toneladas (+23% em relação a 2018).

O desafio é imenso para o OFAST, que pretende fornecer seu "apoio e experiência" aos serviços policiais e aduaneiros.

Outra ambição é tornar a comunicação entre os serviços de Inteligência mais fluida. No nível internacional, com a cooperação entre a França e os países produtores ou de trânsito, mas também no nível departamental, por meio das Unidades Operacionais de Informação sobre Narcóticos (CROSS).

Outra prioridade: fortalecer a luta contra a lavagem de dinheiro e a apreensão de propriedades de criminosos.

"Você não pode desmontar uma rede, se não cuidar do lado financeiro", acrescenta Stéphanie Cherbonnier.

As apreensões de propriedades criminosas ligadas ao tráfico de drogas representam "10% do total" das apreensões, acrescenta ele. "Não é muito. Temos que aumentar", frisou.

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