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Estado de Minas

Em momento histórico, Reino Unido conclui o Brexit e deixa a UE


postado em 31/01/2020 22:31

O Reino Unido deixou oficialmente a União Europeia nesta sexta-feira (31), três anos e meio depois do referendo no qual 52% dos britânicos votaram a favor do Brexit, com o desejo de recuperar a soberania plena.

Como se fosse uma metáfora para o que alguns consideram 47 anos de preponderância europeia, o Brexit entrou em vigor no último segundo do dia ... na Europa continental, 23 horas para os britânicos.

Boa parte do país explodiu em gritos de alegria, aplausos, fogos de artifício, balões, beijos e canções.

"Isso não é um final, mas um começo", disse o primeiro-ministro, Boris Johnson, em comunicado a nação.

"Sei que podemos transformar essa oportunidade em uma vitória impressionantemente", acrescentou o homem que, ao finalizar anos de crise política que culminaram na renúncia dos seus antecessores, David Cameron e Theresa May, despontou com um enorme reconhecimento.

Um relógio instalado na fachada da Downing Street fazia a contagem regressiva para o momento em que, pela primeira vez na história, a UE perdeu um membro e ganhou um forte adversário.

"Queremos que esse seja o começo de uma nova era de cooperação cordial", que organizou uma recepção em sua residência oficial regada ao melhor do vinho nacional e com aperitivos tradicionalmente ingleses.

Em Bruxelas, a bandeira britânica foi retirada da fachada do Conselho Europeu.

O acontecimento de hoje é considerado simbólico porque até a transição oficial se completar, com previsão para o final de dezembro, quase nenhuma novidade deve existir.

- Felicidade e lágrimas -

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, declarou pelo Twitter que os Estados Unidos continuarão mantendo laços fortes com o Reino Unido, após sua saída da União Europeia.

"Me alegra que o Reino Unido e a UE tenham acordado um acordo do #Brexit que respeita a vontade do povo britânico. Continuaremos construindo sobre nossa relação forte, produtiva e próspera com o Reino Unido enquanto entrarem neste próximo capítulo", escreveu Pompeo

Com gritos de felicidade, uma maré de cidadãos pró-Brexit comemorou em grande festa em frente ao Parlamento, que por três anos foi palco de debates acalorados sobre a questão mais importante na história do país nos últimos anos.

"Conseguimos!", gritou diante multidão o político eurocético e conservador Nigel Farage.

"Foi totalmente incrível, a atmosfera tem sido muito animada e otimista", disse Karen Ollerton, aposentada de 65 anos, à AFP.

"Somos uma nação soberana, somos britânicos e não gostamos que nos digam o que temos que fazer", disse à AFP John Moss, de 44 anos, diretor de uma empresa de RH.

Horas antes, algumas pessoas tinham queimado uma bandeira da União Europeia.

A poucos metros, os detratores do Brexit, entre eles jovens que não votaram no referendo em 2016 e agora veem o futuro incerto, derramavam lágrimas.

"Sinto pena, tristeza. É muito terrível tudo que está acontecendo", disse Katrina Graham, de 31 anos.

Na Escócia, nação semi-autônoma que votou majoritariamente contra o Brexit, a novidade não foi bem recebida.

"Essa tristeza traz muita raiva", afirmou a primeira-ministra Nicola Sturgeon, prometendo "fazer todo o possível" para realizar um novo referendo de independência.

Na Irlanda do Norte, onde se teme que o Brexit desestabilize a frágil paz que colocou fim ao sangrento conflito que durou mais de três décadas, uma faixa foi levantada em Belfast, na qual estava escrito: "Essa ilha rejeita o Brexit".

- 47 anos de uma relação complicada -

Em 1973, o Reino Unido entrou na Comunidade econômica Europeia, antecessora a UE, após sofrer vetos da França, em 1963 e 1967, preocupada que os britânicos fossem como um cavalo de Troia para o Estados Unidos.

A relação, no entanto, sempre foi complicada: os britânicos não adotaram a moeda única e a livre circulação de pessoas, além de pedirem para contribuir com uma menor quantia para o orçamento europeu e sempre ter se mostrado contra a integração política.

Apesar desse histórico, o resultado do referendo surpreendeu a todos.

- "Isolamento esplêndido" -

Retomando um período de política externa britânica que remete ao século XIX, quando o país se mantinha à margem do continente europeu, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou para os perigos desse "isolamento esplêndido".

A partir de agora, Johnson terá que prosseguir com a difícil missão de não somente negociar tratados comerciais com a UE, mas com o Estados Unidos.

"Agora poderão fazer as coisas de forma diferente", afirmou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, ressaltando os "enormes benefícios" dessa nova liberdade.

No entanto, as negociações não serão fáceis: Washington pressionará para que Londres seja mais contornável em relação às medidas de Saúde e Ambientais, enquanto Bruxelas pedirá que os padrões laborais e ecológicos sejam mantidos.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, afirmou que a Europa se manterá muito firme nessas negociações e não aceitará possíveis políticas desleais.


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