Publicidade

Estado de Minas

Moderados Biden e Buttigieg ocupam terreno democrata em Iowa


postado em 31/01/2020 21:25

Pela primeira vez, em Iowa, apenas três dias antes da primeira votação das primárias democratas, três dos favoritos estão ausentes - contra sua vontade. Enquanto isso, seus dois grandes rivais tentarão, em atuação no terreno, nesta sexta-feira (31), fazer a diferença em uma corrida muito acirrada.

A ironia é que é o histórico julgamento de impeachment de Donald Trump que mantém em Washington três importantes candidatos, todos senadores, que sonham com desafiar o magnata republicano nas eleições presidenciais de 3 de novembro: os progressistas Bernie Sanders e Elizabeth Warren, e a centrista Amy Klobuchar.

Enquanto isso, o ex-vice-presidente Joe Biden e o ex-prefeito Pete Buttigieg, representantes da ala moderada do partido, multiplicam seus encontros com os eleitores de Iowa, um estado rural escassamente povoado com campos cobertos de neve no final de janeiro.

Um suspense total paira nesta reta final da campanha, com os quatro favoritos bastante próximos nas pesquisas: Sanders lidera, seguido de Biden, Buttigieg e Warren.

Para aumentar a incerteza, quase um a cada dois eleitores democratas em Iowa disse que ainda estava indeciso esta semana antes do "caucus", um sistema de votação atípico, do qual seus habitantes se orgulham.

Na segunda-feira à noite, às 19h (22h em Brasília), mais de 600.000 habitantes afiliados ao Partido Democrata são esperados em alguma das cerca de 1.700 instalações (entre escolas, teatros antigos, igrejas e outros) para expressar publicamente sua escolha, agrupando-se sob a bandeira de um candidato.

Uma coisa os une, segundo o presidente do Partido Democrata de Iowa, Troy Price: "Muitos querem se assegurar de que vão derrotar Donald Trump".

Mas ainda restam 11 pré-candidatos na disputa - "há muitas opções muito boas" -, o que explica a grande indecisão, disse Troy à AFP, acrescentando que esta incerteza "vai durar até segunda-feira, 19h".

Com 0,5% de apoio nas pesquisas nacionais, John Delaney anunciou o abandono da corrida esta manhã.

Em Iowa, primeiro estado a votar, política é um assunto sério. Ocupa um lugar decisivo no calendário eleitoral, apesar de representar apenas 1% da população americana, com seus cerca de três milhões de habitantes.

Aqui, é normal que um "grande" pré-candidato passe em torno de uma hora conversando com 40 pessoas em um café. Isso faz a desvantagem dos senadores retidos em Washington ser ainda mais grave.

Ex-vice de Obama, Biden, de 77 anos, se reuniu com os moradores de Burlington em uma igreja metodista nesta pequena cidade às margens do rio Mississippi logo cedo nesta sexta-feira e, depois, segue com outras duas etapas.

Buttigieg, de 38, viajou distâncias mais longas para quatro reuniões, que se concentraram, em parte, nos indecisos e nas regiões que votaram em Trump em 2016.

Os presentes ao comício de Biden receberam o pré-candidato calorosamente, antes de ouvir um discurso de meia hora, várias vezes interrompido por aplausos.

"A alma da nação", diz seu cartaz de campanha, pendurado ao lado da bandeira americana.

"É a identidade da Nação" que vai estar na cédula em novembro, disse Biden, político de 77 anos, que vê Trump como uma "ameaça" para os Estados Unidos.

Biden também destacou sua experiência na política externa.

"O próximo presidente dos Estados Unidos herdará um país dividido e um mundo em desordem", disse. "Precisamos de um presidente que esteja pronto desde o primeiro dia".

- "Galvanizar, não dividir" -

O objetivo dos dois aspirantes é se apresentar como o candidato mais capaz de unir o país, depois de quatro anos de amargas divisões.

À medida que a votação se aproxima, os candidatos se atrevem a atacar mais diretamente. Mantêm a prudência, porém, neste estado conhecido por sua cortesia e, sobretudo, sem ofender eleitores que podem ser captados por um candidato, se sua primeira opção ficar pelo caminho.

Ex-soldado e primeiro candidato abertamente homossexual com chance de ser indicado, Buttigieg destaca sua juventude para se apresentar como uma audaciosa esperança de futuro contra Biden.

O ex-vice de Obama lamenta, alegando que "não é hora de assumir riscos". Em relação a Sanders, Biden insinua que dividiria excessivamente o eleitoral.

"Devemos galvanizar, não dividir", destacou, em seus discursos.

Já Biden se apresenta como a melhor possibilidade contra Trump, segundo ele, uma "ameaça" para os Estados Unidos.

Em nível nacional, é Biden que ocupa o primeiro lugar nas sondagens, à frente de Sanders e Warren. O bilionário Michael Bloomberg, em quarto, não disputará Iowa.

Trump promete, por sua vez, uma vitória arrasadora. Ontem, na capital de Iowa, Des Moines, proclamou diante de uma multidão animada: "Em novembro, venceremos os democratas socialistas radicais!".


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade