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Estado de Minas SAÚDE

Coronavírus chega à Europa pela França

Primeiros casos foram registrados em Bordeaux e Paris. Doença já está em 12 países e provocou a morte de 41 pessoas, todas na China, onde mais de 700 estão contaminadas


postado em 25/01/2020 04:00

Ministra da Saúde da França, Agnès Buzyn, confirmou o contágio no país e disse que pacientes foram isolados(foto: Alain Jocard/AFP)
Ministra da Saúde da França, Agnès Buzyn, confirmou o contágio no país e disse que pacientes foram isolados (foto: Alain Jocard/AFP)

Três casos do novo coronavírus chinês foram “confirmados” na França, os primeiros registrados na Europa, anunciou ontem a ministra da Saúde, Agnès Buzyn. O primeiro caso foi de um paciente hospitalizado em Bordeaux e os outros em Paris, informou a ministra durante um encontro com a imprensa no ministério de Saúde. O paciente internado em Bordeaux tem 48 anos e passou por Wuhan, cidade do centro da China onde a contaminação teve início. Ele apresentou sintomas aos médicos na quinta-feira e, desde então, está internado. Ele esteve em contato com cerca de 10 pessoas depois de sua chegada na França.
 
“Ele foi colocado em um quarto isolado, para evitar qualquer contato com o mundo exterior. Ele está bem”, disse a ministra da Saúde da França, Agnes Buzyn. Ainda há poucas informações sobre os casos detectados em Paris. O primeiro caso no Nepal é de um estudante de doutorado que viajou da China para o país e também foi infectado em Wuhan. 
 
As autoridades sanitárias do Nepal confirmaram ontem que um estudante deu positivo para o novo coronavírus, tornando-se o primeiro país do Sul da Ásia a relatar a doença mortal. O estudante de 32 anos chegou ao Nepal em 9 de janeiro e entrou no Hospital de Doenças Infecciosas e Tropicais de Sukraraj, em Katmandu, quatro dias após apresentar febre e relatar problemas respiratórios.
 
Desde que surgiu em Wuhan, em dezembro, o novo coronavírus, da mesma família do sars, já provocou 41 mortes (15 apenas ontem), todos na Província de Hubei, onde está Wuhan, na China, que tem ainda 729 pessoas contaminadas, com 177 delas em estado grave. Outros 4.711 chineses são monitorados pelas autoridades, que confirmaram a segunda morte pelo vírus fora da região de Wuhan, a 2 mil quilômetros de distância, na província de Heilongjang. O governo chinês destacou que 35 pacientes diagnosticados com a infecção estão recuperados e receberam alta.

Contágio se alastra Além de China, onde a doença teve início, da França e do Nepal, o novo coronavírus já infectou pessoas em outros nove países. Os Estados Unidos também confirmaram o segundo caso na manhã de ontem, desta vez em Chicago. A paciente, uma mulher de 63 anos, viajou para Wuhan, epicentro da doença. Ela está hospitalizada para evitar o contágio e seu quadro é estável, disse Allison Arwady, diretora de saúde pública de Chicago, em entrevista a imprensa.
 
O primeiro caso de coronavírus nos EUA havia sido confirmado na última segunda-feira, em Washington. O paciente, que foi hospitalizado com pneumonia na semana passada, também havia viajado recentemente para Wuhan, na China. Os investigadores testaram amostras do paciente em busca do vírus e os resultados positivos para a infecção foram recebidos no fim de semana. Os funcionários se recusaram a identificar o paciente, que estava bastante doente. Além dos dois casos confirmados, 11 pessoas avaliadas no país receberam diagnóstico negativo e outros 50 pacientes estão sendo investigados.
 
Em Hong Kong, duas pessoas que estiveram recentemente em Wuhan tiveram resultado positivo nos testes onde foram hospitalizadas. As autoridades de Macau anunciaram em 22 de janeiro um primeiro caso confirmado nesta região semiautônoma chinesa. É uma empresária de 52 anos que chegou três dias antes de trem da cidade vizinha de Zhuhai. Dois casos foram registrados no Japão. O primeiro paciente é um homem que teve que ser hospitalizado em 10 de janeiro devido a febre alta e outros sintomas. Ele tinha acabado de passar alguns dias em Wuhan. O segundo caso é também de um homem, residente da cidade chinesa e que chegou ao território japonês em 19 de janeiro.
 
Em Cingapura, três casos foram confirmados. Ontem, as autoridades informaram dois casos. O primeiro caso de coronavírus foi anunciado em 23 de janeiro. Um homem de 66 anos residente de Wuhan, que chegou três dias antes com febre e tosse. Até agora, existem dois casos confirmados na Coreia do Sul. O ministério da Saúde mencionou um homem de 50 anos que trabalhava em Wuhan e começou a ter sintomas há alguns dias. Seu diagnóstico foi confirmado ontem. O primeiro caso confirmado foi de uma mulher de 35 anos que viajou para Wuhan. O primeiro caso registrado em Taiwan é o de uma mulher que chegou de Wuhan, onde mora, com febre, tosse e dor de garganta, no aeroporto de Taoyuan, em Taipei.
 
O primeiro caso de contaminação do coronavírus fora da China foi registrado na Tailândia em 8 de janeiro. No total, a Tailândia confirmou quatro casos de coronavírus, três deles em cidadãos chineses de Wuhan. A eles se juntam um tailandês de 73 anos que viajou para Wuhan. Dois dos pacientes chineses foram tratados e já viajaram de volta ao seu país. Dois chineses, um homem que chegou de Wuhan e seu filho, morador da cidade de Ho Chi Minh, no Sul do Vietnã, foram hospitalizados, em 17 e 18 de janeiro, em território vietnamita depois de seus testes de coronavírus darem positivo, anunciaram as autoridades.

Corrida para conter o surto


Os chineses estão em uma corrida científica e estrutural para conter o avanço de novos casos contaminação pelo novo coronavírus, que provoca febre alta, tosse, dores musculares, falta de ar e secreção na garganta. Há pesquisas sendo desenvolvidas para identificar detalhes da cepa do vírus, um hospital sendo construído para tratar exclusivamente dos infectados e restrições de circulação e fechamento de pontos turísticos. Naa região metropolitana de Wuhan, cidade epicentro da doença, as autoridades estão construindo um novo hospital que será dedicado ao tratamento do coronavírus, segundo o Xinhua News. O empreendimento segue o modelo de Pequim para tratamento de doenças respiratórias agudas, conhecidas como SARS. O hospital terá 1 mil leitos, uma área de 25 mil m² e deverá ser inaugurado em 3 de fevereiro.
 
As autoridades esperam que o novo hospital dedicado somente a casos de pneumonia viral de origem desconhecida seja concluído em tempo recorde. Segundo a agência de notícias estatal, equipes de operários trabalham 24 horas por dia na obra. Em 2003, o hospital erguido em Pequim para os casos de SARS ficou pronto em apenas uma semana.
 
O Ministério de Ciência e Tecnologia da China lançou oito projetos de pesquisa de emergência para ajudar a lidar com o mais recente surto de coronavírus no país. Além disso, o governo criou um sistema nacional com informações de pesquisas a respeito da doença. Imagens microscópicas eletrônicas do coronavírus, primers e sondas para detecção de vírus estão disponíveis no site, de acordo com a rede de notícias Xinhua.



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