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Estado de Minas

MPF denuncia Greenwald por incentivar hackeamento de autoridades


postado em 21/01/2020 16:25

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou nesta terça-feira (21) o jornalista americano Glenn Greenwald por "auxiliar, orientar e incentivar" um grupo de hackers que invadiu os celulares do ex-juiz e ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e dos procuradores da operação Lava Jato.

Greenwald, cofundador do portal The Intercept Brasil, foi denunciado juntamente com outras seis pessoas por crimes vinculados à "invasão de celulares de autoridades brasileiras", em um caso que veio à tona em meados de 2019, informou o MPF em um comunicado.

O jornalista, que mora no Brasil com o marido, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), e os dois filhos adotivos do casal, "foi denunciado, embora não tenha sido indiciado pela Polícia Federal".

Para o MPF, "provas coletadas na investigação demonstram que ele auxiliou, incentivou e orientou o grupo durante o período das invasões" dos celulares, acrescentou a nota.

Em um vídeo publicado em sua conta no Twitter, Greenwald denunciou "um ataque à liberdade de imprensa".

"É obviamente uma retaliação do governo Bolsonaro. Nós nunca vamos ser intimidados por ninguém que está abusando do aparato do Estado", acrescentou.

Greenwald foi em 2013 um dos jornalistas que entrevistou Edward Snowden sobre os programas de vigilância maciça implementados pela Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos.

A justiça deve determinar agora se dá seguimento às denúncias do MPF para abrir um processo formal.

De acordo com a denúncia, segundo os diálogos entre Greenwald e um dos hackers, o jornalista não apenas recebeu informações, mas foi além "ao indicar ações para dificultar as investigações e reduzir a possibilidade de responsabilização penal".

O hacker Walter Delgatti Neto confessou ter entregue a Greenwald milhares de mensagens entre o ministro Moro com procuradores da Lava Jato, divulgadas pelo The Intercept Brasil a partir de junho de 2019.

As mensagens mostraram uma suposta conivência entre Moro com os procuradores da operação Lava Jato, que levou à prisão de dezenas de empresários e políticos, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


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