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Estado de Minas

Pompeo pede apoio internacional para acabar com tirania de Maduro na Venezuela


postado em 20/01/2020 22:43

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, convocou nesta segunda-feira (20) seus aliados a continuar apoiando os esforços da Casa Branca e da oposição venezuelana para por fim à "tirania" do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Durante sua visita a Bogotá, primeira escala de uma viagem pela América Latina e pelo Caribe, Pompeo reativou seu apoio aos opositores de Maduro, liderados por Juan Guaidó, com quem se encontrou em Bogotá nesta segunda-feira.

"O mundo deve continuar apoiando os esforços do povo venezuelano para voltar à democracia e acabar com a tirania de Maduro, que prejudica milhões de venezuelanos e afeta a Colômbia e toda a região", afirmou o chefe da diplomacia dos Estados Unidos.

"Espero que ações mais permanentes dos Estados Unidos continuem apoiando o presidente Guaidó e o povo venezuelano", disse o Pompeu apos conversar com ao autoproclamado presidente interino da Venezuela, que é reconhecido no cargo por mais de 50 países, liderados por Washington.

Em Caracas, Maduro se referiu a Pompeo como "um homem fantasioso, que se auto-engana, engana, que vive da guerra psicológica, da falsidade, da mentira".

Guaidó chegou no domingo a Bogotá desafiando a proibição de sair da Venezuela imposta por autoridades chavistas.

Antes do encontro com o opositor venezuelano, Pompeo se reuniu com o presidente da Colômbia, Iván Duque, com quem também participou de uma conferência regional sobre a luta contra o terrorismo.

- Por mais sanções -

O secretário de Estado condenou a "miséria infligida" por Maduro, que provocou o êxodo de milhões de pessoas da Venezuela. Dos 4,6 milhões de venezuelanos que deixaram o país, segundo a ONU, 1,6 milhão estão na Colômbia.

Nesse sentido, destacou o apoio da Colômbia na cruzada americana contra Maduro, cujo governo foi alvo de várias sanções econômicas, incluindo um embargo ao petróleo.

"Me alegra ver a cooperação nos mais altos níveis. Os cidadãos rechaçam o autoritarismo e exigem liberdade. A Colômbia tem sido chave nesta visão democrática" na região, afirmou Pompeo.

Desde que Maduro assumiu pela primeira vez a presidência em 2013, a Venezuela, que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, sofreu uma forte contração em sua economia.

Mas, apesar da crise política e econômica, dos esforços de Guaidó e das sanções de Washington, Maduro permanece no poder apoiado pelas forças de segurança, bem como por Cuba, Rússia e China.

Em 2019, Guaidó fracassou em sua intenção de depor Maduro, mesmo que afirme ter "tentado de tudo". Sua popularidade caiu de 63% em janeiro para 38,9% em dezembro, segundo o instituto de pesquisa Datanálisis.

- Apoio a terroristas -

Em seu encontro com Pompeo, o presidente colombiano pediu mais sanções contra a "tirania" da Venezuela por seu apoio a grupos "terroristas" colombianos em seu território.

O governo Duque denunciou insistentemente que os chefes rebeldes do ELN e dos dissidentes das Farc estão na Venezuela, com o suposto apoio de Maduro e de suas autoridades governamentais.

Considerado o último grupo rebelde ativo na Colômbia, o ELN realizou negociações de paz primeiro em Quito e depois em Havana com o Prêmio Nobel da Paz Juan Manuel Santos (2010-2018).

Após sua chegada ao poder, Duque estabeleceu novas condições para continuar as fracassadas negociações. Finalmente, decidiu interromper o processo há um ano, após um ataque com carro-bomba reconhecido pelo ELN contra uma academia de polícia em Bogotá, onde 22 cadetes morreram, além do motorista do veículo.

Nesta segunda-feira, Duque, Pompeo e Guaidó prestaram homenagem às vítimas deste ataque. Durante a instalação da conferência regional, o presidente colombiano chegou a acusar o governo chavista de permitir a entrada na Venezuela de "células" do Hezbollah, o movimento xiita apoiado pelo Irã.

"Ressaltamos o que acabamos de ouvir do presidente (colombiano Iván) Duque. Nosso amigo e aliado Colômbia declarou o Hezbollah como uma organização terrorista. Espero que outras nações tomem medidas semelhantes contra esse grupo e outras organizações terroristas", afirmou.

Pompeo pediu a outros países que mediante "designações livres" bloqueiem o financiamento do terrorismo e denunciem suspeitos nessas atividades.

"Os Estados Unidos fizeram sua parte para eliminar a ameaça dos representantes do Irã. Eliminamos Qassem Soleimani e fortalecemos nossa campanha de pressão máxima de sanções econômicas, isolamento diplomático e dissuasão estratégica. Os Estados Unidos estão entusiasmados ao ver como outras nações também enfrentam Hezbollah e outros grupos terroristas ", acrescentou.

Pompeo disse que nos últimos meses países latino-americanos como Argentina, Paraguai, Honduras, Guatemala, Peru e Brasil sancionaram ou detiveram militantes do Hezbollah ou de outros grupos considerados terroristas pelos Estados Unidos.

Por seu lado, Guaidó garantiu aos repórteres que a "ditadura venezuelana" não apenas protege o ELN, mas também "financia diretamente e indiretamente com o ouro venezuelano, que agora pode ser classificado como ouro de sangue".

Apesar da ofensiva internacional, Maduro disse numa entrevista recente ao Washington Post que ele tem o controle do país e se declarou aberto a negociações diretas com os Estados Unidos para reativar o relacionamento bilateral.

O governo Donald Trump defendeu recentemente um diálogo para formar um governo de transição na Venezuela que convoque eleições gerais antes do final do ano. Mas continua a sustentar que essas conversas devem começar discutindo a saída de Maduro.

- Exercício militar conjunto -

O Comando Sul dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira, coincidindo com a viagem de Pompeo, à Colômbia, um exercício militar entre os dois países entre 23 e 29 de janeiro.

"Equipe de especialistas dos Estados Unidos e da Colômbia realizarão um trabalho conjunto" para criar intercâmbio operacional e "compartilhar experiências estratégicas e práticas", afirmou o Comando Sul através de comunicado.

O Comando Sul informou que aproximadamente 75 paraquedistas da 82ª Divisão Fort Bragg da Carolina do Norte e 40 membros do Exército do Sul dos Estados Unidos chegarão à Colômbia em 23 de janeiro para participar da operação que ocorrerá até o dia 29.

"Este exercício demonstra a interoperabilidade, letalidade e profissionalismo de nossos exércitos", disse o almirante do Comando do Sul, Craig Faller.


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