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Estado de Minas

Parlamento turco autoriza envio de tropas à Líbia


postado em 02/01/2020 19:19

O Parlamento turco autorizou nesta quinta-feira o presidente Recep Tayyip Erdogan a enviar militares à Líbia para dar apoio ao governo de União Nacional (GNA), reconhecido pela ONU e aliado da Turquia.

Um total de 325 deputados votaram a favor e 184 contra essa intervenção, segundo o presidente da Assembleia Nacional turca, Mustafa Sent.

A decisão autoriza o exército turco a intervir na Líbia por um ano.

O texto foi apresentado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan, cujo partido, o AKP, tem maioria parlamentar junto com o ultranacionalista MHP.

Erdogan e o chefe do Governo de Unidade Nacional (GNA), Fayez Al Sarraj, assinaram um acordo de cooperação militar e de segurança no final de novembro.

O chefe de Estado turco afirmou repetidamente que seu país estava determinado a ajudar militarmente Sarnaj, reconhecido pelas Nações Unidas e confrontado por um poderoso rival, o marechal Khalifa Haftar.

Dividida por conflitos internos desde a queda do regime de Muammar Khadafi, em 2011, a Líbia também é palco de uma luta de influências entre a Turquia, que apoia o GNA, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Egito, três rivais regionais de Ancara que apoiam o marechal Haftar.

"[Fayez] Al Sarraj e os que estão com ele pediram uma intervenção estrangeira na Líbia, algo que qualificamos de alta traição", declarou à AFP Ehmayed Houma, segundo vice-presidente do Parlamento líbio com sede no leste do país.

O presidente americano, Donald Trump, advertiu em uma conversa por telefone com Erdogan contra qualquer ingerência estrangeira na Líbia.

A aprovação do Parlamento "é uma etapa importante para garantir a paz e a estabilidade na Líbia e para defender nossos interesses no norte da África e no Mediterrâneo", declarou o porta-voz de Erdogan, Ibrahim Kalin, após a votação.

- Tropas ou apenas conselheiros -

Os observadores agora se perguntam se a Turquia planeja enviar forças de combate para a Líbia ou se esse destacamento será limitado a fornecer "conselheiros militares".

Na quarta-feira, o vice-presidente turco Fuat Oktay disse que o exército estava pronto para agir, mas enfatizou que a natureza e a extensão do envio serão decididas de acordo com "os eventos no terreno".

Ele acrescentou que Ancara espera que a adoção do texto tenha um efeito de dissuasão.

"Após a votação, se o outro lado [do general Haftar] mudar de atitude e disser 'estamos nos retirando, paramos a ofensiva', então por que ir?", questionou o vice-presidente.

Além das dificuldades de mandar tropas para um país fora da fronteira, diferentemente da Síria, onde a Turquia está intervindo atualmente, o envio de soldados para a Líbia será acompanhado pelo risco de um incidente com a Rússia.

Embora Moscou negue, o emissário da ONU na Líbia, Ghasan Salamé e o presidente Erdogan afirmam que os mercenários russos lutam ao lado das forças de Haftar, que desde abril tenta tomar Trípoli.

O presidente russo Vladimir Putin está programado para viajar à Turquia na próxima quarta-feira para inaugurar um gasoduto com seu colega turco, que será uma ocasião para ambos discutirem o caso da Líbia.

A sobrevivência do GNA é essencial para Ancara, que acaba de assinar um acordo de delimitação marítima que permite à Turquia afirmar seus direitos em grandes áreas do Mediterrâneo Oriental, ricas em hidrocarbonetos, e cobiçadas por outros países como Grécia, Egito, Chipre ou Israel.

A princípio, a votação estava prevista para a semana que vem, mas o governo decidiu adiantá-la devido às dificuldades que o GNA atravessa em Trípoli, onde a ofensiva das forças pró-Haftar se intensificou.

O Egito, que apoia Haftar, condenou "com firmeza" a decisão do Parlamento turco e considerou que uma intervenção de Ancara "teria um impacto negativo para a estabilidade no Mediterrâneo".


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