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Estado de Minas

Pyongyang declara fim da moratória sobre testes nucleares


postado em 31/12/2019 22:49

O líder norte-coreano, Kim Jong Un, declarou que Pyongyang está abandonando suas moratórias sobre testes nucleares e de mísseis balísticos intercontinentais, informou nesta quarta-feira a agência estatal KCNA.

"Não há mais base para mantermos unilateralmente o vínculo com o compromisso", disse Kim a líderes do partido governista.

"O mundo vai testemunhar uma nova arma estratégica que a República Popular Democrática da Coreia [nome oficial da Coreia do Norte] deterá no futuro próximo", acrescentou o líder norte-coreano, anunciando uma "ação impactante" da Coreia do Norte.

"Os Estados Unidos estão fazendo exigências contrárias aos interesses fundamentais do nosso Estado e adotam um comportamento de bandido". Washington "tem realizado dezenas de exercícios militares conjuntos (com a Coreia do Sul) que o presidente (Donald Trump) havia prometido pessoalmente impedir", enviou equipamentos militares ao Sul e intensificou as sanções contra Pyongyang.

"Jamais venderemos nossa dignidade", afirmou Kim, prometendo "uma ação impactante para fazer que [Estados Unidos] pague pelos danos impostos ao nosso povo".

Kim declarou em 2018 que a Coreia não tinha mais necessidade de realizar testes nucleares e com mísseis balísticos intercontinentais (ICBM), e o anúncio desta quarta ameaça acabar com os avanços diplomáticos feitos recentemente nesta área.

Antes de 2018, Coreia do Norte realizou seis testes nucleares e lançou mísseis balísticos capazes de atingir o território continental dos Estados Unidos.

A afirmação desta quarta-feira, diante de um plenário lotado do comitê central do Partido dos Trabalhadores, deixa claro que a Coreia do Norte prefere enfrentar sanções internacionais para preservar sua capacidade nuclear, e derruba os esforços diplomáticos dos dois últimos anos.

As negociações nucleares envolvendo Trump e Kim estavam estancadas desde o fracasso da cúpula de Hanói, em fevereiro, e a Coreia do Norte havia estabelecido o prazo até o final de 2019 para que os Estados Unidos fizessem concessões.

Durante meses, Pyongyang pediu a redução das sanções internacionais impostas por seus programas nuclear e balístico, mas o governo Trump vinculou qualquer concessão a gestos concretos dos norte-coreanos.

- Paz -

O secretário americano de Estado, Mike Pompeo, reagiu à declaração de Kim afirmando que os Estados Unidos "querem a paz e não o confronto".

Em entrevista à rede CBS, Pompeo declarou que "vamos continuar a manter aberta a possibilidade de que o dirigente da Coreia do Norte faça a melhor escolha para ele e para seu povo".

Em meados de dezembro, o chefe do Estado-Maior Conjunto do Pentágono, general Mark Milley, garantiu que o governo americano está preparado para qualquer ação procedente da Coreia do Norte, após Pyongyang prometer atingir Washington com um "presente de Natal".

"A Coreia (do Norte) é um desses lugares no mundo onde sempre mantivemos altos níveis de capacidade de reação", afirmou o general Milley.

A aliança dos Estados Unidos com Japão e Coreia do Sul é "sólida" e "acho que estamos preparados para defender os interesses" dos três países.

Milley se negou a dizer se os Estados Unidos e seus aliados na Ásia aumentaram a capacidade de reação diante das ameaças de Pyongyang.

"A Coreia do Norte indicou várias coisas (...) De modo que estamos preparados para o que for", insistiu.


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