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Estado de Minas

Autoridades ucranianas e separatistas pró-russos trocam prisioneiros


postado em 29/12/2019 13:07

As autoridades ucranianas e os separatistas pró-russos no leste da Ucrânia intercambiaram neste domingo cerca de 200 prisioneiros, uma operação que representa uma desescalada no único conflito armado ativo da Europa.

"As trocas terminaram", declarou a presidência ucraniana no Facebook, acrescentando que 76 pessoas estavam retornando ao país.

Por sua parte, os separatistas pró-russos das repúblicas autoproclamadas de Donetsk e Lugansk disseram às agências de notícias russas que receberam respectivamente 61 e 63 pessoas, incluindo cidadãos russos e um brasileiro que lutou nas fileiras rebeldes.

Tanto o presidente russo Vladimir Putin quanto a chanceler alemã Angela Merkel - que mediaram as negociações de paz na França no início de dezembro - celebraram a "troca positiva de detidos" durante uma conversa por telefone, segundo comunicado da presidência russa.

A embaixada dos Estados Unidos na Ucrânia também elogiou o intercâmbio em seu Twitter oficial, observando que reconhece que "a agressão contínua da Rússia enfrenta a liderança da Ucrânia com opções difíceis".

Por ora, nenhuma lista foi publicada com a identidade das pessoas liberadas.

A presidência ucraniana prometeu "detalhes depois".

O líder dos rebeldes de Lugansk, Leonid Passechnik, comemorou "uma nova vitória" em um tuíte.

Esta é a primeira troca direta entre beligerantes desde dezembro de 2017.

- Troca na linha da frente -

De manhã, dois ônibus dos territórios separatistas chegaram a uma área protegida por militares ucranianos armados perto da cidade de Odradivka, no território controlado por Kiev, a alguns quilômetros da linha de frente, disseram jornalistas da AFP.

Alguns passageiros, visíveis a bordo, cobriram o rosto. Meia hora depois, outros três veículos escoltados pela polícia chegaram ao mesmo ponto na direção oposta.

Eles foram seguidos por várias ambulâncias, carros da Cruz Vermelha e observadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa.

Do lado dos separatistas pró-russos de Donetsk, a televisão russa mostrava detidos ladeados por soldados armados.

Nenhuma das partes comunicou a identidade dos prisioneiros trocados.

Segundo informações não confirmadas da mídia ucraniana, os separatistas libertariam principalmente militares ucranianos, além de ativistas ou jornalistas.

Kiev, por outro lado, talvez tenha resgatado os condenados à prisão perpétua por terem cometido um ataque mortal em Kharkiv em fevereiro de 2015, bem como a polícia de choque detida por seu suposto envolvimento na sangrenta repressão das manifestações da Praça Maidan em 2014, que ocorreu antes do início da guerra no leste da Ucrânia.

A possibilidade da libertação do ex-policiais pílulas ultrajou uma associação de famílias de vítimas, que pediu ao presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, que se retratasse.

Cerca de 200 manifestantes se reuniram, segundo a imprensa, no sábado à noite em frente a uma prisão na capital ucraniana para tentar impedir a troca.

- Distensão com Moscou -

Essa troca foi preparada no início do mês, durante a reunião realizada em Paris entre o presidente russo Vladimir Putin e o ucraniano Zelenski.

Foi a primeira vez que Zelenski e Putin se encontraram frente a frente, com a presença dos líderes franceses e alemães.

Embora durante a reunião não tenha havido avanços concretos, como a retirada de armas pesadas, a restauração do controle de Kiev na fronteira com a Rússia ou a organização de eleições locais nessas regiões.

Desde a eleição, em abril, do novo chefe de Estado ucraniano, um ex-ator, houve um certo relaxamento com o Kremlin.

Em setembro, Kiev e Moscou já trocaram 70 detidos, incluindo o cineasta ucraniano Oleg Senstov, libertado pela Rússia.

Da mesma forma, os dois lados recuaram em três pontos da linha de frente, e outras retiradas desse tipo devem ocorrer antes do final de março.

Moscou também retornou à Rússia navios de guerra apreendidos pela Rússia.

A guerra no leste da Ucrânia, o último conflito armado ativo na Europa, causou mais de 13.000 mortes desde o início de 2014, algumas semanas depois que a Rússia anexou a península da Crimeia.

Pouco antes ocorreu a revolta pró-europeia da praça de Maidan, em Kiev, que precipitou a saída do presidente pró-russo Viktor Yanukovish.

O Ocidente e a Ucrânia acusam Moscou de apoiar os separatistas militarmente, embora a Rússia negue.


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