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Estado de Minas

Netanyahu anuncia 'imensa vitória' em primárias do Likud


postado em 26/12/2019 19:55

Benjamin Netanyahu anunciou na noite desta quinta-feira uma grande vitória nas primárias do seu partido de direita, o Likud, exigidas por Gideon Saar, principal rival do primeiro-ministro israelense e que desejava assumir o comando da sigla.

"Uma imensa vitória! Obrigado aos membros do Likud por sua confiança, seu apoio e sua afeição", escreveu Netanyahu no Twitter após o fim da votação, com base em resultados parciais que indicam uma boa vantagem sobre Saar.

Quase 116.000 integrantes do Likud participaram do processo, encerrado às 23H00 local (18H00 de Brasília).

A taxa de participação foi de 49%, segundo o partido. Os resultados serão divulgados na manhã de sexta-feira.

Ao que parece, Netanyahu será o encarregado de liderar a campanha do Likud nas legislativas de 2 de março.

Netanyahu votou em sua residência em Jerusalém, para onde foi levada uma urna.

Ao chegar à seção onde votou, perto de Tel Aviv, Gideon Saar considerou que este é um "dia fatídico" para o Likud e para Israel. "Podemos ganhar hoje e percorrer um novo caminho que nos permita formar um governo forte e estável", acrescentou.

O deputado Saar tem poucas chances de vencer as primárias, que se apresentam como uma espécie de referendo da popularidade de Netanyahu.

"Precisamos de uma mudança para que o Likud permaneça no poder", declarou à AFP Yaron, de 68 anos, um morador de Jerusalém que votou em Gideon Saar. "Infelizmente, a instituição judicial acabou com Bibi", completou, em referência a Benjamin Netanyahu, indiciado por corrupção em três casos.

Para Nathan Moati, morador de Jerusalém de 26 anos, os partidários de Netanyahu não são afetados pelo problemas judiciais.

"Apenas Bibi pode vencer as legislativas. Todos os partidários do Likud devem votar em Netanyahu", defendeu.

O deputado Saar tem poucas chances de vitória nas eleições internas, que são consideradas uma espécie de referendo sobre a popularidade de Netanyahu.

Mas um resultado apertado seria um duro golpe para o primeiro-ministro, líder do Likud desde 1993 - com exceção de um intervalo de seis anos quando o partido foi comandado pelo falecido Ariel Sharon - e o chefe de Governo com mais tempo de poder na história de Israel.

"Netanyahu só tem a perder", afirmou o analista Stephan Miller. "Independentemente do resultado obtido por Saar, esta é a primeira vez em dez anos que eleitores da direita expressam explicitamente o desejo de se livrar de Netanyahu", completa.

Miller considera que, se Gideon Saar, de 53 anos, receber mais de um terço dos votos, "isto será um golpe significativo para Netanyahu".

Após as eleições antecipadas de abril, e depois da segunda votação em setembro, nem Netanyahu nem o centrista Benny Gantz conseguiram o apoio de 61 deputados, número que representa a maioria parlamentar para formar o governo.

O presidente de Israel, Reuven Rivlin, confiou a missão ao próprio Parlamento, que tampouco teve êxito.

Depois que Netanyahu, de 70 anos, foi indiciado em novembro por corrupção, fraude e abuso de confiança em três casos, que ele denuncia como "acusações falsas" com motivação política, seus rivais no Likud, com Saar à frente, exigiram eleições internas.

Saar, nome importante do partido, foi ministro em diversas ocasiões, antes de ser afastado por Netanyahu em 2014.

Gideon Saar é considerado ainda mais à direita do que Netanyahu, especialmente na questão palestina. Apresenta-se, contudo, como um unificador além de seu próprio campo, com base em suas relações com os líderes de outros partidos.

Também se apoia, sem declarar abertamente, no fato de que não é acusado pela Justiça, pois o partido Azul-Branco de Gantz se recusa a dividir o poder com um primeiro-ministro indiciado.

Pesquisas recentes mostraram que um Likud liderado por Saar conquistaria menos cadeiras no Parlamento em 2 de março do que um partido comandado por Netanyahu. Com Saar, no entanto, eleitores do Likud poderiam votar em outros partidos de direita.

Neste caso, a direita israelense, contando todos os partidos, poderia sair reforçada das urnas e superar potencialmente a barreira da maioria parlamentar necessária para formar um governo.


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