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Estado de Minas

Polícia investiga suposto envolvimento de grupo extremista em ataque à Porta dos Fundos


postado em 26/12/2019 16:37

A polícia do Rio de Janeiro investiga um vídeo no qual um homem, ao lado de duas outras pessoas, todos encapuzados, se identifica como integrante de um grupo de extrema direita e assume a autoria do ataque com coquetéis molotov contra a sede da produtora Porta dos Fundos, realizado na madrugada da terça-feira (24).

No vídeo registrado por câmeras de segurança, pelo menos quatro homens participam da ação contra a produtora, responsável pelo filme 'A Primeira Tentação de Cristo', uma paródia bíblica exibida no serviço de streaming de vídeo Netflix, no qual retrata Jesus como gay.

"Todas as hipóteses são investigadas", disse o delegado Marco Aurélio Ribeiro à imprensa, depois de receber os proprietários da produtora, localizada no bairro de Botafogo (zona sul do Rio).

A polícia identificou as placas do carro e da motocicleta usados pelos agressores e informou que as imagens da ação incluídas no vídeo em que o grupo reivindica a autoria do ataque são "compatíveis" com o material registrado pelas câmeras de segurança.

No vídeo, com pouco mais de dois minutos, três homens vestidos com camisas verdes e encapuzados reivindicam o ataque e acusam a Porta dos Fundos de realizar um "ataque direto contra a fé do povo brasileiro".

O grupo, que se autodenomina Comando Nacionalista de Insurgência Popular da Grande Família Integralista Brasileira, exibe uma bandeira do Brasil imperial e outra com a letra grega sigma, símbolo da Ação Integralista Brasileira (AIB), um movimento de inspiração fascista da década de 1930.

A AIB, que tem como lema "Deus, pátria e família", foi dissolvida em 1937, mas alguns grupos deram sequência a seu legado ideológico, como a Frente Integralista Brasileira (FIB), que negou qualquer vínculo com o suposto "comando" que reivindicou o ataque.

O especial de Natal "A Primeira Tentação de Cristo" estreou no dia 3 de dezembro na Netflix e gerou uma onda de indignação entre os setores mais conservadores do Brasil, um país de maioria católica e com uma crescente influência das igrejas evangélicas.

"Somos a favor da liberdade de expressão, mas vale a pena atacar a fé de 86% da população? A reflexão permanece", escreveu no Twitter o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, mencionando o especial.

O ator João Vicente de Castro, um dos membros da Porta dos Fundos que se encontrou com a polícia na quarta-feira, disse estar "totalmente" confiante na investigação.

"O que aconteceu foi um ataque à liberdade de expressão", disse à imprensa.

A Porta dos Fundos, fundada em 2012, ganhou um prêmio Emmy Internacional este ano na categoria Comédia pelo Especial de Natal de 2018, também disponível na Netflix.


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