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Estado de Minas INTERNACIONAL

Governo da Líbia 'oriental' prende navio turco e eleva tensões na região


postado em 22/12/2019 08:42

As forças da Líbia em Benghazi anunciaram a prisão de um navio com tripulação turca, na noite de sábado, aumentando as tensões no Mediterrâneo devido a um acordo controverso sobre fronteiras marítimas.

O navio com a bandeira de Granada, em que vários tripulantes turcos estavam viajando, foi forçado a chegar a um porto líbio para inspeção, de acordo com o Exército Nacional da Líbia. Não ficou claro se o navio foi efetivamente capturado.

A nova ofensiva do LNA na capital ameaça mergulhar a Líbia em outra onda de violência semelhante ao conflito de 2011, no qual o ditador veterano Moamar Gaddafi foi derrubado e morto.

A Líbia é dividida entre governos rivais. Uma fica na cidade oriental de Benghazi, enquanto um governo secundário, mas apoiado pelas Nações Unidas, mantém a capital, Trípoli e parte do território ocidental. Ambos são apoiados por várias milícias e governos estrangeiros.

O chamado Exército Nacional da Líbia (LNA), liderado pelo comandante Khalifa Hifter, tenta tomar a capital desde abril.

As autoridades líbias e norte-americanas acusaram a Rússia de enviar combatentes por meio de uma empresa de segurança privada para as principais áreas disputadas do território líbio no último mês. Moscou negou repetidamente qualquer intervenção nos combates na Líbia.

Já o LNA e o governo do leste contam com apoio da França, Rússia, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e outros países árabes importantes. O governo de Trípoli é apoiado pela Itália, Turquia e Catar.


A Turquia assinou um acordo marítimo no mês passado com o governo em Trípoli que causou indignação e preocupação internacional entre alguns países do Mediterrâneo. O acordo dá à Turquia acesso a uma zona econômica exclusiva disputada no leste do Mediterrâneo.

O Parlamento turco também aprovou, no sábado, um acordo de segurança com o governo de Trípoli que alimentou o descontentamento do governo de Benghazi. Esse pacto permite à Turquia fornecer treinamento e equipamento militar a pedido de Trípoli.

Os acordos com Ancara são "uma provocação" para os países árabes e europeus vizinhos, disse à Associated Press um membro da câmara em Benghazi.

"Isso prolongará o conflito e ameaçará que os países do norte da África semeiem o caos na região", disse Talal Al-Mihoub, presidente do Comitê de Defesa e Segurança Nacional do parlamento.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que o acordo de segurança dá ao país o direito de enviar tropas para a Líbia para ajudar o governo em Trípoli a lidar com o LNA, que é supostamente apoiado por milícias russas.

Al-Mihoub negou as alegações de que o LNA recebeu apoio militar russo.

"Rejeitamos a intervenção militar estrangeira e quaisquer combatentes no terreno", afirmou.

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