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Estado de Minas

Muito criticado, primeiro-ministro da Austrália visita bombeiros


postado em 22/12/2019 08:43

O primeiro-ministro australiano Scott Morrison, criticado por sua inércia diante do aquecimento global, visitou neste domingo (22) os bombeiros que lutam contra os incêndios florestais e pediu desculpas por ter ido ao Havaí de férias.

O chefe de governo visitou os bombeiros de Nova Gales do Sul, onde os voluntários combatem incêndios mortais há meses.

Morrison lamentou ter viajado em tais condições. "Entendo que as pessoas se irritaram ao saber que eu estava de férias com minha família enquanto suas famílias estavam sob forte estresse".

"Se eu pudesse voltar no tempo, sabendo o que sei hoje, teríamos tomado outra decisão", disse ele.

Quando ele viajou a situação já era complicada: os incêndios já tinham destruído uma área equivalente à Bélgica e a fumaça intoxicava as grandes cidades do leste, de Brisbane a Camberra e Sydney. Os australianos foram às ruas para protestar e expressaram sua desaprovação nas redes sociais.

"Tenho certeza de que os australianos são imparciais e compreendem que, quando você faz uma promessa a seus filhos, tenta cumpri-la", explicou. Mas "como primeiro-ministro, temos outras responsabilidades".

Embora tenha reconhecido mais uma vez que existe um elo entre os incêndios e o aquecimento global, ele se recusou a modificar a política de seu governo, favorável à indústria de carvão.

Todos os anos, na primavera e no verão, há incêndios no país, mas os climatologistas dizem que são mais intensos e perigosos devido ao aquecimento global.

- "Algo nunca visto" -

Morrison elogiou os bombeiros, que trabalham em condições climáticas extremas: com a pior onda de calor do país até o momento, ventos fortes e seca. A grande maioria é voluntária e está exausta.

Neste domingo, um pouco de respiro lhes deu tempo para fazer um balanço e conter o imenso incêndio que causa estragos nas imediações de Sydney, mas são necessárias fortes chuvas para apagá-lo.

Chuvas são esperadas em alguns lugares terça e quarta-feira, um presente de Natal para muitos. Mas o fim de semana será menos clemente.

"Vimos danos e destruição consideráveis", disse Shane Fitzsimmons, chefe dos bombeiros de Nova Gales do Sul, que descreveu o sábado como "um dia horrível".

"A devastação é chocante", afirmou a primeira-ministra de Nova Gales do Sul, Gladys Berejiklian. "Temos a notícia devastadora de que não resta muito na cidade de Balmoral", acrescentou.

Segundo as autoridades, dois incêndios a sudoeste de Sydney, já grandes o suficiente para causar uma tempestade, juntaram-se e formaram um "mega-incêndio" perto da principal cidade australiana.

Um incêndio pode desencadear uma tempestade quando uma coluna de fumaça fria entra na atmosfera, criando uma nuvem capaz de gerar raios e ventos fortes.

O estado da Austrália do Sul também é fortemente atingido. Duas pessoas morreram nos últimos dois dias e dezenas de bombeiros e moradores foram tratados por ferimentos e inalação de fumaça.

Cerca de 70 casas foram destruídas apenas em sua capital Adelaide, disseram autoridades oficiais à rede pública da ABC.

Os incêndios na Austrália devoraram 30.000 km² de terra, mataram pelo menos 10 pessoas e destruíram mais de 800 casas. Até agora, pouparam as áreas densamente povoadas, mas algumas pequenas cidades ou vilas enfrentaram os lhamas.

Também causaram o "estado de emergência sanitária" que, segundo os médicos, afeta Sydney, envolta em forte neblina.

"Mais ou menos toda a população de Nova Gales do Sul está exposta a fumaça prolongada e, como nunca vimos nada parecido antes, não sabemos qual será o resultado final", disse à AFP Kim Loo, ativista da Associação Médicos pelo Meio Ambiente.

Os hospitais registram um aumento no número de emergências devido a insolação e problemas respiratórios.

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