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Estado de Minas

Putin fez comentário enigmático sobre possível saída do Kremlin em 2024


postado em 19/12/2019 12:37

Um comentário enigmático de Vladimir Putin sobre a limitação do número de mandatos presidenciais reviveu nesta quinta-feira as especulações sobre sua saída do Kremlin em 2024.

Durante sua tradicional coletiva de imprensa anual, o presidente russo foi questionado sobre uma reforma da Constituição, em particular sobre a proibição de exercer mais de "dois mandatos consecutivos".

"O que poderia ser feito com relação a esses mandatos é suprimir o termo 'consecutivo' quando se refere à função presidencial", afirmou.

Se esse termo fosse removido da Constituição, excluiria qualquer possibilidade do retorno de Vladimir Putin ao Kremlin após 2024, quando seu segundo mandato atual expira.

De fato, ele já não pode deixar a presidência por um tempo e depois voltar a exercê-la, como fez em 2012, após quatro anos (2008-2012) como primeiro-ministro.

Neste momento, "este fiel servidor cumpre seus dois mandatos, deixa a função e depois terá o direito de retornar ao cargo de presidente porque já não se trata mais de dois mandatos consecutivos", afirmou o chefe de Estado russo.

Mas esse tipo de alternância "incomoda certos cientistas políticos e atores da sociedade e pode ser eliminada. Possivelmente", alertou.

Até agora, Putin havia manifestado interesse em manter os mandatos consecutivos.

Ele também mencionou a possibilidade de fortalecer os poderes do Parlamento de maneira "muito cuidadosa" e depois de "uma discussão aprofundada na sociedade".

"Não devemos ter muita pressa. A discussão está em andamento e eu também verei como ela evolui", acrescentou após a conferência.

Para a diretora da rede de televisão RT, financiada pelo Estado russo, Rusia Margarita Simonian, as palavras de Putin não foram o resultado do acaso e ele decidiu deixar a presidência.

"Se alguém se pergunta se cumprirá um novo mandato presidencial. A resposta é não", tuitou.

Após sua última reeleição, em 2018, houve muita especulação sobre as intenções de Putin para depois de 2024. Alguns apostam em sua intenção de manter o poder por meio de novas funções ainda a serem definidas, outros que ele se tornará provisoriamente primeiro-ministro.

Até agora, o Kremlin considerou prematuro tratar dessa questão, e o presidente russo tem mais de quatro anos de governo.

- Trump, Lênin e mudanças climáticas -

A coletiva de imprensa durou quatro horas e vinte minutos, em que Putin falou sobre vários assuntos.

A respeito do processo de impeachment contra Donald Trump no Congresso americano por abuso de poder, acredita que é baseado em acusações "completamente inventadas".

"Ainda tem que passar pelo Senado, onde os republicanos são a maioria. E é improvável que eles queiram retirar do poder um representante de seu partido com base em acusações totalmente inventadas", disse.

O presidente russo acredita que a crise em Washington é a "continuação das lutas políticas internas" nos Estados Unidos.

"O partido que perdeu as eleições, o Partido Democrata, tenta alcançar seus objetivos usando outros meios e outras ferramentas e acusando Trump de complô com a Rússia. E quando fica claro que não foi o que aconteceu, então inventam a história da pressão contra a Ucrânia", disse Putin.

Sobre a questão das mudanças climáticas, afirmou que "ninguém sabe" com certeza o que provoca, uma declaração que parece questionar a responsabilidade humana no aquecimento do planeta.

"Ninguém sabe a que se deve a mudança climática mundial. Sabemos que nosso planeta conheceu períodos de aquecimento e de resfriamento e isto pode depender de um processo no universo", declarou.

Ele, no entanto, reafirmou o compromisso de seu país para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, assim como para respeitar o Acordo de Paris sobre o clima.

Além disso, o chefe de Estado russo considerou que o corpo de Vladimir Ilyich Lênin deve continuar em seu mausoléu na Praça Vermelha de Moscou, onde foi colocado após sua morte em 1924.

"Acredito que não é necessário tocar nele. Pelo menos enquanto a vida e o destino de muitas pessoas estiverem relacionados a ele... e relacionados aos sucessos do passado, com os anos soviéticos", explicou.

A questão do mausoléu de Lênin, aberto após sua morte, é muito controversa na Rússia, onde o Partido Comunista é a primeira força de oposição no Parlamento.


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