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Estado de Minas

Bruxelas estima que acordo com Mercosul 'contribui' para ambição climática da UE


postado em 18/12/2019 15:01

O comissário europeu para o Comércio, Phil Hogan, disse nesta quarta-feira (18) que o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os países do Mercosul "contribui" para as metas climáticas europeias, apesar da relutância na Eurocâmara.

"Este acordo pode contribuir para alcançar os objetivos do Pacto Verde de várias maneiras", afirmou Hogan durante um debate na Eurocâmara em Estrasburgo (nordeste da França), lembrando que o pacto inclui um capítulo sobre desenvolvimento sustentável e referências ao Acordo de Paris.

Os negociadores da UE e do Mercosul chegaram a um acordo político em junho, após 20 anos de negociações comerciais, que devem passar por uma revisão legal antes da aprovação formal dos países europeus.

Desde então, a Eurocâmara realizou dois debates sobre o acordo, em um contexto de preocupação em alguns países europeus com a política ambiental do atual presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e do auge desta temática no bloco.

A nova chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou na semana passada o Pacto Verde, uma das políticas prioritárias de seu mandato que busca alcançar a neutralidade de carbono na UE até 2050 e se tornar sua "nova estratégia de crescimento" econômico.

"Se o Pacto Verde é salvar o clima, nesse momento o acordo com o Mercosul não pode ser assinado, nem deve ser considerado", disse o eurodeputado ecologista Yannick Jadot, cujo grupo promoveu o debate sobre se o acordo com o Mercosul está em conformidade com o Pacto Verde.

O eurodeputado liberal Jordi Cañas, que será o relator do pacto com o Mercosul na Eurocâmara, criticou um debate "viciado de origem" que "apenas busca encontrar um novo inimigo".

"Alguns precisam de um novo Ceta [acordo UE-Canadá] e conseguiram isso", acrescentou.

Para os eurodeputados Sven Simon (PPE, à direita) e Geert Bourgeois (conservador), se a UE quiser ampliar sua ambição climática em todo mundo, deve assinar o acordo com o Mercosul. "Não teremos influência no mundo, se não assinarmos", alegou Simon.

A parlamentar social-democrata Kathleen Van Brempt, para quem atualmente não há maioria no Parlamento Europeu a favor do pacto, pediu aos países do Mercosul, "especialmente o Brasil", que adotem uma atitude diferente em relação às mudanças climáticas para serem os "parceiros" da UE.

A Comissão Europeia prevê que a assinatura formal do acordo possa ocorrer até o final de 2020.


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