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Estado de Minas

Huawei pretende abrir uma fábrica de componentes 5G na Europa


postado em 18/12/2019 10:43

Preocupada em convencer os países europeus antes do lançamento das primeiras redes de internet móvel 5G, a gigante chinesa de telecomunicações Huawei planeja abrir uma fábrica na Europa e está comprometida em rejeitar qualquer acusação de espionagem envolvendo Pequim, declarou à AFP seu presidente, Liang Hua.

Após as sanções aplicadas por Washington, a Huawei adaptou seus sistemas de fornecimento de chips e deixou de ser "dependente" das fabricantes americanas, afirmou Liang esta semana, em Paris, em uma entrevista exclusiva, realizada em chinês com ajuda de um intérprete.

No entanto, ele está confiante de que não há risco de construir um "muro de Berlim" tecnológico entre a China e os Estados Unidos.

AFP: Os Estados Unidos desconfiam da Huawei. Que garantias oferece para convencê-los de que vocês não apresentam nenhum risco à segurança?

Liang Hua: A primeira coisa que devemos fazer é respeitar escrupulosamente os regulamentos de cada país. É o caso do GDPR [Regulamento Geral sobre Proteção de Dados, um texto europeu] que cumprimos regidamente. O segundo aspecto (...) é garantir total transparência, manter comunicação com os países onde trabalhamos, tentar tornar todos os nossos dados transparentes. (...) A segurança e a confiabilidade da rede é a coisa mais importante: é a razão pela qual fazemos da cibersegurança a prioridade absoluta.

AFP: Vocês podem garantir inequivocamente que os serviços de informações chineses não poderão usar os equipamentos da Huawei para espionar o tráfego da Internet de outros países?

Liang Hua: Nos últimos trinta anos, nunca recebemos esse tipo de demanda. Mesmo que isso acontecesse no futuro, nós rejeitaríamos. O primeiro-ministro chinês Li Keqiang disse que a China não possui uma lei que exija que as empresas forneçam informações. Essa realidade continuará no futuro. Nosso princípio supremo é cumprir rigorosamente a lei dos países em que trabalhamos.

AFP: China e Estados Unidos chegaram a uma trégua em sua guerra comercial. É um bom presságio para a Huawei?

Liang Hua: Essa guerra comercial, na verdade, tem um impacto limitado em nossas atividades, uma vez que não éramos muito ativos no mercado americano. Mais do que a guerra comercial, o que realmente nos afeta é a proibição [de Washington] às empresas americanas de nos venderem chips e softwares. É por isso que tentamos garantir a sobrevivência de nossa empresa nesse contexto, além do mercado americano.

AFP: Como vocês corrigem o bloqueio de Washington para fornecer chips dos Estados Unidos para o seu equipamento 5G? Fazem transferências de tecnologia para outras empresas?

Liang Hua: A tecnologia 5G da Huawei sempre se baseou em uma cadeia de suprimentos globalizada. Após a proibição nos Estados Unidos, repensamos nossa cadeia para garantir a continuidade dos suprimentos e continuar atendendo às necessidades de nossos clientes. Atualmente, no campo das tecnologias 5G, não somos mais dependentes do fornecimento de fabricantes americanos de chips e outros componentes (...). Também reforçamos nossa colaboração com fornecedores europeus, japoneses e sul-coreanos. Pretendemos fabricar nossos próprios componentes [para equipamentos 5G] na Europa, tendo aqui uma base de produção. Estamos realizando um estudo de viabilidade para abrir uma fábrica na Europa. Em qual país? Isso faz parte do estudo de viabilidade. (...) Quanto ao calendário, [a decisão] pode ocorrer muito rapidamente.

AFP: Após as sanções dos Estados Unidos, a China estaria avaliando uma proibição do uso de computadores e programas de computador estrangeiros. Não existe o risco de dois mundos digitais surgirem, uma espécie de "muro de Berlim tecnológico"?

Liang Hua: Eu não acho que exista um mundo dividido em duas partes. Mesmo na China, as pessoas continuarão usando produtos da Apple e outras marcas de tecnologia. Não vamos esquecer que existem 1,4 bilhão de usuários na China! Mesmo nos Estados Unidos, tenho certeza de que os consumidores continuarão a usar outros sistemas [além dos americanos]. Estou certo de que o mundo digital do futuro será um mundo globalizado. Se, ao contrário, formos forçados a recuar, perderemos a competitividade.

AFP: A Huawei lançou recentemente seu smartphone Mate 30 Pro sem o sistema operacional Android da Google americana ou de sua loja de aplicativos, devido a um bloqueio nos Estados Unidos. É possível permanecer competitivo sem eles na Europa? Os serviços da Huawei e seu próprio sistema operacional podem assumir o controle?

Liang Hua: Há um futuro para nossos dispositivos. Esperamos um volume de envios entre 245 e 250 milhões de unidades este ano [no mundo todo]. No mercado de exportação, somos proibidos de usar o Google Mobile Services [um conjunto de aplicativos pré-instalados em dispositivos Android] e serviços associados, por isso tentamos desenvolver alguns Serviços Móveis na Huawei. Confiamos que esses serviços (HMS) e o ecossistema de aplicativos continuarão a se desenvolver.


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