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Estado de Minas

UE se declara preparada para negociar futura relação com Reino Unido


postado em 13/12/2019 12:49

Os líderes europeus afirmaram nesta sexta-feira que estão prontos para negociar seu futuro relacionamento comercial com o Reino Unido, após a vitória esmagadora de Boris Johnson nas eleições britânicas, o que lança luz ao fim do túnel do Brexit.

"A UE está pronta para a próxima fase. Vamos negociar um acordo comercial que permitirá regras justas para o jogo", disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, ao final do segundo dia da cúpula europeia em Bruxelas.

"Mas não se trata de concluir a negociação a qualquer preço", alertou Charles Michel, defendendo primeiro a obtenção de resultados "equilibrados que respeitem as várias preocupações".

Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que o prazo para negociar o futuro relacionamento entre a UE e o Reino Unido após sua partida planejada em 31 de janeiro é "muito ambicioso".

Von der Leyen disse que está "pronta para trabalhar no dia seguinte ao Brexit, visando a um relacionamento o mais próximo possível entre as duas partes".

O único ausente da reunião em Bruxelas foi justamente o conservador Johnson, vencedor sem questionamentos nas eleições legislativas de quinta-feira, que ele convocou com o objetivo de liberar a retirada do Reino Unido da UE no final de janeiro.

Embora a partida devesse ter ocorrido em 29 de março passado, a falta de uma clara maioria na Câmara dos Comuns a favor do acordo negociado com Bruxelas adiou o divórcio em várias ocasiões, a última para 31 de janeiro.

"A vitória tão clara de Johnson finalmente permite propor uma saída ordenada em 31 de janeiro", comemorou o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte, expressando a opinião dos europeus, exasperados com o Brexit.

"Acho que as pessoas votaram em Johnson porque queriam segurança. Mesmo que não concordassem, queriam essa certeza", disse seu colega luxemburguês, Xavier Bettel, que espera que o premiê britânico cumpra com suas promessas de campanha.

- Negociações expressas -

Se o acordo de divórcio fechado em outubro entre Johnson e seus 27 sócios for ratificado, os britânicos deixarão a UE em 31 de janeiro, mas continuarão a respeitar as regras do bloco e a se beneficiar delas até 31 de dezembro de 2020.

Durante esse período de transição, ambas as partes concordam em negociar seu futuro, especialmente o relacionamento comercial, algo muito ambicioso em um espaço de tempo muito pequeno, segundo o primeiro-ministro irlandês Leo Varadkar.

Os líderes planejam chamar a negociação com o Reino Unido "o mais rápido possível", de acordo com um esboço de declaração visto pela AFP.

"Não conseguiremos, se não tentarmos", acrescentou Varadkar.

Com a retirada do Reino Unido, uma das principais potências econômicas, diplomáticas e militares do bloco estará saindo depois de compartilhar por mais de 40 anos um destino comum, e agora é preciso redefinir a relação.

"Precisamos reconstruir as relações com o Reino Unido, que é um parceiro importante", disse Thierry Breton, comissário europeu do mercado interno, falando à rádio RTL na sexta-feira.

Ele recordou ainda que os europeus são "o principal sócio comercial do Reino Unido".

No entanto, as negociações se anunciam complexas.

"Será uma negociação difícil em termos de prazo", disse Conte.

Johnson já avançou que não planeja solicitar uma extensão do período de transição, um pedido que deve ser feito antes de 1º de julho.

Os europeus tentarão garantir especialmente a integridade do mercado interno durante essas negociações e a adoção de regras de jogo justo entre as duas partes, para evitar concorrência desleal em nível social ou ambiental.

Mas, primeiro, o parlamento britânico deve ratificar o acordo de divórcio antes de "iniciar, com calma, mas com determinação, as negociações da próxima fase", segundo o presidente do Conselho Europeu.


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