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Estado de Minas

Nova presidente do BCE anuncia estratégia para o banco


postado em 12/12/2019 13:55

A nova presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, anunciou nesta quinta-feira (12) uma ampla revisão da estratégia de política monetária, pela primeira vez desde 2003 e depois de anos de medidas anticrise tão vigorosas quanto controversas.

Lagarde imprimiu seu estilo em sua primeira reunião nesta quinta à frente da instituição, prometendo uma revisão abrangente da estratégia no próximo ano.

"De uma vez por todas, não sou nem pomba nem falcão", disse a francesa à imprensa, varrendo o clássico debate entre os partidários de um apoio ao crescimento e os defensores da ortodoxia monetária.

"Minha ambição é ser uma coruja, que geralmente está associada a alguma sabedoria", acrescentou.

Advogada de profissão, primeira titular desse cargo sem formação de economista ou experiência em banco central, Christine Lagarde pretende imprimir "seu estilo" à comunicação da instituição, "provavelmente diferente" de seu antecessor Mario Draghi.

Depois de confirmar o arsenal de medidas anunciadas por Mario Draghi em setembro, ela anunciou o lançamento em janeiro da revisão da estratégia do BCE.

"Até acho que é um pouco tarde, legitimamente, porque havia muitas outras coisas a fazer", observou, enquanto o mandato de Draghi de oito anos foi marcado por esforços para aumentar os preços e proteger o euro.

O ponto central será redefinir o nível de inflação almejado pelo BCE, por enquanto "próximo, mas ligeiramente inferior a 2%", e considerado ideal para atividade e emprego. A fórmula pode ser de "cerca de 2%%, de acordo com especialistas.

O objetivo também é integrar à política monetária "o imenso desafio que a mudança climática representa para todos nós", por exemplo, concentrando as recompras de dívidas nos ativos "verdes". Este ponto promete gerar um debate amargo, porém, com o presidente do Bundesbank abertamente contrário.

Do lado metodológico, Christine Lagarde quer consultar parlamentares, pesquisadores e sociedade civil, "ouvir" e não apenas "pregar o evangelho que pensamos ter dominado" - o que a diferencia claramente do brilhante, mas solitário, Draghi.

Finalmente, enquanto o arsenal adotado em setembro deixou o conselho de governadores profundamente dividido, a nova chefe do BCE diz querer "buscar suas opiniões antes de qualquer decisão".

Neste sentido, uma fonte de um banco central nacional garantiu à AFP que a reunião foi "muito harmoniosa".

Para Carsten Brzeski, do banco holandês ING, essa primeira coletiva de imprensa "muito divertida" não permite prever como será a era Lagarde, além de seu desejo de parecer "o mais consensual possível".

A presidente do BCE desenhou uma perspectiva econômica contrastante: ao mesmo tempo em que reduziu para 1,1% as expectativas de crescimento para 2020 na zona do euro, ela acredita que a situação econômica vai se acelerar em 2021 e em 2022 (+1,4%).

Prevê que a inflação cairá para 1,1% no próximo ano, após 1,2% este ano, antes de subir para 1,4% em 2021 e 1,6% em 2022, ainda longe dos objetivos.


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