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Estado de Minas

Irã se dispõe a dialogar com EUA se sanções forem suspensas


postado em 04/12/2019 11:31

O presidente iraniano Hassan Rohani afirmou nesta quarta-feira que seu país está "disposto a dialogar" com os Estados Unidos caso o país suspenda as sanções contra a República Islâmica, restabelecidas após a retirada de Washington do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano.

Rohani descartou negociações bilaterais diretas entre Irã e Washington, privilegiando o contexto multilateral.

"Se (os Estados Unidos) estiverem dispostos a deixar de lado as sanções, essas negociações poderão acontecer no marco do grupo 5+1", declarou Hassan Rohani, referindo-se aos seis países (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) que assinaram o acordo de 2015 com o Irã.

Em um discurso difundido pela televisão estatal, Rohani disse que já havia feito "explicitamente" essa oferta há um tempo.

Rohani já antecipou uma proposta similar em setembro, antes de comparecer à Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York.

- "Cruéis, injustas, ilegais" -

"Estamos sob sanções. Essa situação não é culpa nossa", mas "o resultado de um ato cruel da Casa Branca", ressaltou Rohani nesta quarta-feira.

"Ao mesmo tempo não fechamos a porta às negociações", reiterou. "Digo à nação iraniana que a qualquer momento se os Estados Unidos estiverem dispostos a suspender e deixar de lado suas sanções injustas, cruéis, ilegais, inapropriadas e terroristas, os dirigentes do 5+1 podem se reunir e nós não vemos nenhum inconveniente", acrescentou o presidente iraniano.

Essa proposta de Teerã é feita depois que aproximadamente cem cidades iranianas foram afetadas em meados de novembro por um movimento de protesto gerado por um aumento no preço dos combustíveis.

As autoridades dizem que a calma voltou após dias de manifestações marcados pela violência, que o governo classifica de "motins" estimulados por "inimigos" da República Islâmica, como Estados Unidos, Israel e Arábia Saudita.

Teerã considerou na terça-feira como "mentiras absolutas" os balanços de ONGs de defesa de direitos humanos, como a Anistia Internacional, que apontou "pelo menos 208" manifestantes mortos pela repressão aos protestos.

O presidente americano Donald Trump considerou "terrível" que "muita gente" tenha "morrido no Irã pelo simples fato de se manifestar".

- Nuclear de uso civil -

Segundo o acordo de Viena, o Irã aceitou reduzir drasticamente suas atividades nucleares para garantir sua natureza civil, em troca da suspensão de parte das sanções internacionais que asfixiam a economia da República Islâmica.

Os Estados Unidos saíram unilateralmente do acordo em maio de 2018, e restabeleceram as sanções. Desde então, Washington não parou de endurecer cada vez mais essas sanções.

O retorno das sanções teve efeitos devastadores para o Irã, barrado do sistema financeiro internacional e com exportações de petróleo reduzidas para esse importante membro da Opep.

O Produto Interno Bruto (PIB) do país, imerso em uma violenta recessão, cairá 9,5% este ano, segundo o FMI.

Em represália à saída dos Estados Unidos do Acordo de Viena, Irã começou progressivamente a descumprir alguns de seus compromissos, pressionando os demais signatários para que o ajudem a driblar as sanções de Washington.

O Irã agora enriquece urânio a um nível superior ao previsto no acordo de Viena (3,67%) e conserva urânio enriquecido e de água pesada em quantidades proibidas pelo texto.

"Embora estejamos reduzindo nossos compromissos, continuamos atuando no marco" do acordo de Viena, assegurou Rohani.

França, Reino Unido e Alemanha pedem ao Irã para "anular todas as medidas contrárias" ao acordo e que este seja aplicado de maneira "plena e íntegra".


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