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Estado de Minas

Imagens de líder norte-coreano a cavalo em monte sagrado multiplicam interpretações políticas

Alguns especialistas afirmam que as visitas do dirigente a este lugar, berço do povo norte-coreano, precedem anúncios políticos importantes


postado em 04/12/2019 08:25 / atualizado em 04/12/2019 11:05

(foto: STR/AFP)
(foto: STR/AFP)

A mídia norte-coreana difundiu nesta quarta-feira enigmáticas fotografias de Kim Jong Un a cavalo nos campos nevados no Monte Paektu, lugar considerado sagrado, levantando especulações sobre o significado político dessas imagens.


Alguns especialistas afirmam que as visitas do dirigente a este lugar, berço do povo norte-coreano, precedem anúncios políticos importantes. Em outubro, Kim visitou essa montanha e foram publicadas várias fotografias suas a cavalo nesse vulcão inativo na fronteira com a China.


As fotografias dessa quarta-feira coincidem com o bloqueio das negociações com os Estados Unidos sobre o tema nuclear. Pyongyang deu a Washington até o final do ano para que faça alguma concessão.


O dirigente norte-coreano, sobre um cavalo branco, foi fotografado à frente de um grupo de apoiadores, entre eles sua mulher, Ri Sol Ju.


A tradição diz que essa montanha teria sido local de nascimento do lendário rei Tangun, neto de Cielo e fundador do primeiro reino coreano.


(foto: STR/AFP)
(foto: STR/AFP)

A propaganda norte-coreana assegura também que foi onde nasceu o pai de Kim Jong Un, Kim Jong Il, filho e sucessor do fundador do regime, Kim Il Sung, em um acampamento secreto que este último dirigia durante a ocupação japonesa.


Essa hipótese foi desmentida por historiadores, que consideram que Kim Jong Il nasceu no povoado de Vyatskoye, na Sibéria, em 1941.


Segundo a agência oficial KCNA, durante sua visita a leste do monte, Kim Jong Un deixou "uma pegada sagrada nos lugares onde se travaram batalhas revolucionárias".


Couro simboliza resistência 


Para os especialistas, essas fotografias querem reafirmar a liderança e a legitimidade de Kim, que costuma visitar o monte Paektu duas vezes por ano.


Em 2013 visitou o local antes da disputa que resultou na queda de seu poderoso tio Jang Song-thaek. Em dezembro de 2017 visitou o lugar pouco antes da histórica abertura da Coreia do Norte que resultou no encontro com Donald Trump em junho de 2018 em Singapura.


(foto: STR/AFP)
(foto: STR/AFP)

Há especialistas que interpretam como uma mensagem implícita a roupa de Kim. "O couro simboliza a resistência da Coreia do Norte", apontou nesta quarta-feira o pesquisador Ahn Chan-il, referindo-se ao casado do dirigente nas fotografias.


O fato de estar no local onde seu avô resistiu frente ao Japão pode ser uma mensagem de que "seu descendente pode fazer o mesmo, mas desta vez frente aos Estados Unidos", acrescentou.


Em 1 de janeiro, Kim pronunciará um esperado discurso de Ano Novo. Sem dúvida, mencionará as negociações sobre o tema nuclear, que estão paralisadas desde o fracasso da segunda cúpula de Trump em fevereiro em Hanói.


A Coreia do Norte é alvo de múltiplas sanções da comunidade internacional devido a seus programas nucleares e balístico. Nesta semana, Kim inaugurou uma nova cidade nos confins do país como demonstração de resiliência frente aos estragos financeiros provocadas pelas sanções.


Há alguns dias, a KCNA publicou declarações do ministro norte-coreano das Relações Exteriores, Ri Thae Song, em que assegurou que "o presente de Natal que os Estados Unidos receberão dependerá totalmente da decisão tomada".


Na quarta-feira, a agência KCNA anunciou também que o comitê central do Partido dos Trabalhadores se reunirá nos próximos dias para "falar de temas cruciais vinculados à necessidade de desenvolvimento da revolução coreana e às mudanças ocorridas na Coreia e no exterior".


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