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Estado de Minas

Congresso inicia debate para decidir sobre eventual julgamento político de Trump


postado em 04/12/2019 06:13

O Comitê Judicial da Câmara de Representantes dos Estados Unidos inicia nesta quarta-feira um debate jurídico para determinar se as "provas esmagadoras" que os democratas afirmam ter reunido contra o presidente Donald Trump justificam a abertura de um julgamento político.

O presidente denuncia uma "caça às bruxas" e considera que não fez nada errado ao solicitar ao presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, que investigasse um de seus possíveis rivais nas eleições de 2020, o democrata Joe Biden, e os negócios do filho do ex-vice-presidente no país do leste europeu.

A oposição democrata, majoritária na Câmara de Representantes, está convencida de que aconteceu abuso de poder para favorecer a campanha de reeleição de Trump, fundamentalmente ao congelar uma ajuda militar de 400 milhões de dólares destinada ao país em conflito com a Rússia.

Jerry Nadler, que preside o Comitê Judicial da Câmara, convidou os advogados da Casa Branca a participar na audiência, mas eles recusaram e denunciaram um procedimento "injusto". No entanto, se reservaram a possibilidade de uma intervenção posterior.

Quatro juristas - três escolhidos pelos democratas e um pelos republicanos - explicarão durante uma audiência pública os motivos de destituição citados na Constituição dos Estados Unidos: atos "de traição, corrupção ou crimes e delitos graves".

O ambiente será menos propício para os depoimentos impactantes que foram ouvidos na primeira fase pública da investigação, mas os congressistas republicanos poderão travar uma batalha contra o que chama de "farsa" criada pelos democratas.

"O presidente não fez nada errado", afirmou no domingo Doug Collins, o representante republicano responsável por liderar as respostas.

A Câmara de Representantes iniciou em setembro um procedimento que pode resultar na destituição do presidente e confiou ao Comitê de Inteligência a investigação, cujo relatório concluiu que Trump "colocou seus interesses pessoais e políticos acima dos interesses nacionais, tentando solapar a integridade do processo eleitoral americano e colocando em risco a segurança nacional".

"Os pais fundadores criaram um remédio para quando um chefe do executivo coloca seus interesses pessoais acima dos do país: o impeachment", destacaram os autores deste documento de 300 páginas.

A Casa Branca reagiu em seguida, afirmando que não foi encontrada "nenhuma prova" contra Trump.

"Esse relatório não mostra nada mais do que as frustrações" dos democratas, "lê-se como as divagações de um blogueiro de pouca relevância que tenta demonstrar algo embora esteja claro que não tem", disse a porta-voz do governo Stephanie Grisham.

- "Provas esmagadoras" -

Segundo o relatório, existem "provas esmagadoras" sobre duas questões: "o presidente condicionou um convite à Casa Branca e uma ajuda militar à Ucrânia ao anúncio de investigações favoráveis para sua campanha" e "obstruiu" a investigação.

"É muito perigoso para um país ter um presidente sem ética, que acredita estar acima das leis", disse o congressista democrata Adam Schiff, que preside o Comitê de Inteligência da Câmara. "A pergunta agora é saber o que vai fazer o Congresso".

O Comitê de Inteligência aprovou na noite desta terça-feira o relatório sobre Trump, com os votos de seus 13 membros democratas, contra os nove integrantes republicanos.

A opinião pública americana está muito dividida sobre o impeachment: 49% da população apoia o processo, contra 44% que o rejeita, segundo média das pesquisas elaborada pelo RealClearPolitics.

Se a abertura de um julgamento político contra Trump chegar à votação, os democratas provavelmente aprovarão a medida sem problemas, graças a sua maioria na Câmara de Representantes.

O republicano entraria para os livros de história como o terceiro presidente americano a enfrentar um processo de impeachment. Mas é improvável que Trump seja destituído pelo Senado, onde os republicanos têm maioria.


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