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Estado de Minas IMPEACHMENT NOS EUA

Câmara vê abuso de Trump

Relatório conclusivo da investigação contra o presidente destaca que há provas de %u201Cmá conduta%u201D e %u201Cobstrução%u201D. Casa Branca reage e contesta peças da acusação formal


postado em 04/12/2019 04:00

De acordo com apuração conduzida pelo Congresso, Trump pediu ingerência do governo da Ucrânia em favorecimento da sua campanha (foto: Alastair Grant/AFP/Pool)
De acordo com apuração conduzida pelo Congresso, Trump pediu ingerência do governo da Ucrânia em favorecimento da sua campanha (foto: Alastair Grant/AFP/Pool)

As evidências para realizar um julgamento político por conduta imprópria contra o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, são “esmagadoras”, diz o relatório final da investigação da Câmara dos Deputados, que foi divulgado ontem. “As provas da má conduta do presidente são esmagadoras, assim como as evidências de sua obstrução ao Congresso”, diz o relatório, documento de apoio à acusações formais contra Trump.
 
“A investigação constata que o presidente Trump, pessoalmente e atuando por meio de agentes dentro e fora do governo dos EUA, solicitou a ingerência em um governo estrangeiro, o da Ucrânia, para favorecer sua reeleição”. A Casa Branca reagiu afirmando que não foi encontrada “nenhuma prova” contra Trump.
 
“Esse relatório não mostra nada mais do que as frustrações” dos democratas, "”lê-se como as divagações de um blogueiro de pouca relevância que tenta demonstrar algo embora esteja claro que não tem", disse a porta-voz do governo, Stephanie Grisham.
 
O número três da diplomacia americana, David Hale, rejeitou também ontem a teoria do presidente Donald Trump de que a Ucrânia, e não a Rússia, interferiu na eleição presidencial de 2016. Ao ser questionado durante uma audiência pelo senador democrata Robert Menendez sobre se tinha provas de qualquer tipo de ingerência na última disputa pela Casa Branca, o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos respondeu “não”.
 
Foi com um outro “não” que respondeu quando Menendez lhe perguntou sobre se a ingerência russa nas eleições eram um “engano”, palavra usada frequentemente por Trump para se referir ao tema. “Sim, a comunidade de Inteligência avaliou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou influenciar a campanha de 2016 dirigida para nossas eleições presidenciais”, declarou Hale ao Comitê das Relações Exteriores do Senado.
 
Hale disse, ainda, não ter motivos para duvidar do testemunho de Fiona Hill. Durante a investigação para o processo de impeachment de Trump, a ex-especialista da Casa Branca afirmou que a teoria da ingerência ucraniana era uma propaganda criada pela Rússia.

Ataque à França Donald Trump classificou, ontem, de “insultuosas” as críticas de seu colega francês, Emmanuel Macron, à Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan), a poucas horas de uma cúpula pelo 70º aniversário da Aliança Atlântica sob tensão. A entidade consiste em aliança político-militar dos EUA, Canadá e países europeus, servindo, principalmente, para a defesa coletiva dos Estados-membros. Recentemente, Macron afirmou que a Otan estava “com morte cerebral”.
 
O presidente norte-americano voltou a reclamar do baixo investimento nos gastos militares dos aliados – crítica direta à Alemanha –, mas elogiou o “premiê” britânico, Boris Johnson, com quem se reunirá, em plena campanha eleitoral. Acostumados às críticas e aos apelos de Trum para um maior gasto militar do grupo, as recentes declarações de Macron causaram mal-estar entre seus 28 aliados.
“A Otan serve a um grande propósito”, defendeu Donald Trump, para quem Macron foi “muito insultante” com uma declaração “muito, muito desagradável” para os aliados. “Ninguém precisa mais da Otan do que a França”, acrescentou.
 
Sobre a campanha eleitoral britânica, o presidente dos EUA prometeu se manter à margem, durante sua visita a Londres para uma cúpula da Otan, mas assegurou que vai se encontrar com Boris Johnson. A cúpula da Aliança Atlântica prevê reuniões dos 28 chefes de Estado e de governo no Palácio de Buckingham e em Downing Street.
 
O Partido Conservador de Johnson, que lidera as pesquisas para as eleições legislativas antecipadas do próximo dia 12, tenta manter distância de um imprevisível Trump e de suas declarações, as quais podem servir de munição para a oposição. Dessa forma, na agenda da visita não consta encontro bilateral entre Trump e Johnson. Mas, ao ser perguntado por jornalistas, o presidente americano garantiu que “sim, vou me encontrar com ele”.
 
Pouco antes, o ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab, disse à rede BBC que “não acredita” que Johnson vá se reunir em separado com o presidente americano – um fato incomum, dado que essa é a primeira visita de Trump ao país desde que seu colega foi nomeado primeiro-ministro.

Cofres abertos


O presidente do Chile, Sebastián Piñera, resolveu abrir o cofre para enfrentar a profunda crise social em seu país, que tem afetado a economia sem que sejam vislumbradas saídas claras ou medidas que convençam os manifestantes a deixar as ruas. Depois de lançar na segunda-feira um pacote de medidas para reativar a economia avaliado em US$ 5,5 milhões, Piñera anunciou ontem a entrega de um bônus único de cerca de US$ 124 para 1,3 milhão de famílias vulneráveis, o equivalente a um quarto do total de lares do país. A ajuda extraordinária será paga apenas uma única vez, em janeiro, assim como um bônus que é concedido todo ano em março às famílias mais pobres, em um mês em que o ano letivo começa no Chile e as despesas da família aumentam, explicou o ministro da Economia, Lucas Palacios.



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