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Estado de Minas

Os conflitos comerciais dos EUA


postado em 03/12/2019 11:37

Depois de meses de calma no âmbito comercial, Donald Trump voltou a elevar o tom contra seu alvo preferencial, a China, incluindo também Europa, Argentina e Brasil.

Reveja abaixo os diferentes conflitos comerciais lançados em quase dois anos pelos Estados Unidos de Trump:

- A novela com a China

As duas maiores economias do mundo passaram os últimos dois anos lutando em larga escala com tarifas sobre produtos avaliados em bilhões de dólares.

Donald Trump trava essa guerra tarifária para conseguir que as autoridades chinesas ponham fim - segundo os EUA - a subsídios, à transferência forçada de tecnologia e ao roubo de propriedade intelectual.

O próximo prazo é 15 de dezembro, quando Washington deve estabelecer novas sobretaxas.

Enquanto isso, a perspectiva de um acordo comercial, que alavancou os mercados em novembro, perdeu força.

O presidente dos EUA diz que ainda considera a possibilidade de um acordo, após sua eventual reeleição em novembro de 2020.

- UE, o aliado maltratado

Desde que chegou à Casa Branca, Donald Trump ameaça impor tarifas às importações europeias. Embora os automóveis - núcleo da economia alemã - ainda não tenham sido afetados, os produtos franceses estão agora na mira do presidente americano.

A intenção de Paris de estabelecer um imposto sobre as multinacionais da área digital é vista por Washington como prejudicial para as empresas americanas.

Como forma de pressão, vinhos, queijos, cosméticos e artigos de couro poderão ser sobretaxados em até 100% pelos EUA.

O ministro francês da Economia, Bruno Le Maire, garantiu que a França "nunca" renunciará a seu imposto e pedirá à Comissão Europeia uma "resposta forte".

Outra frente é o interminável conflito em curso na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre Airbus e Boeing, com europeus e americanos trocando acusações de concessão de subsídios ilegais.

Em outubro, a OMC autorizou os Estados Unidos a imporem impostos sobre quase 7,5 bilhões de dólares em bens e serviços europeus importados anualmente.

- Surpresa com Brasil e Argentina

À primeira vista, Brasil e EUA têm tudo para serem fortes aliados. Mas o presidente americano pegou o colega Jair Bolsonaro de surpresa ao impor tarifas às importações brasileiras de aço e alumínio. A mesma política se aplicará à Argentina, que, assim como o Brasil, tem nos EUA seu principal comprador.

Trump justifica esta decisão pela necessidade de responder à queda das divisas destes dois países, em particular o peso argentino, que cai por conta de uma grave crise financeira.

- Equilíbrio precário com os vizinhos

Foram necessários meses de tensões e negociações para que o Acordo de Estados Unidos, México e Canadá (USMCA, na sigla em inglês) se concretizasse. Este novo acordo permitirá aos três países continuar comercializando bilhões de dólares em bens e serviços sem tarifas.

O equilíbrio se mantém frágil, já que ainda não recebeu a aprovação da Câmara de Representantes do Congresso americano, onde a oposição democrata tem maioria.

Além disso, as relações com seus vizinhos continuam sendo conflituosas. Trump pressiona o México com frequência para agir contra o fluxo de migrantes centro-americanos em condição irregular que segue para os Estados Unidos.

- Novas disputas com a Índia

As diferenças comerciais entre Índia e Estados Unidos não são novas, e os dois países se encontram, em geral, em lados opostos na OMC. Este ano, Trump anunciou seu desejo de pôr fim às vantagens comerciais para as importações deste país.

Há muito tempo, a Índia se beneficia do Sistema Geral de Preferências (SGP), que lhe permite livre acesso ao mercado americano. O presidente Trump reclama da ausência de contrapartida do mercado indiano. Em represália, a Índia aumentou as barreiras tarifárias para 28 produtos importados dos Estados Unidos, incluindo amêndoas, maçãs e nozes.


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