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Estado de Minas CONFERÊNCIA DO CLIMA

Caminho livre para catástrofes

Políticos e autoridades de vários países se reúnem na Espanha, confrontados pelos dados sobre a devastação


postado em 03/12/2019 04:00

 Ativistas não perdoaram os delegados na chegada a Madri, capital que substitui Santiago do Chile, anfitriã anterior da conferência, enquanto o primeiro-ministro Pedro Sanchez pedia ação (foto: Gabriel Bouys/AFP )
Ativistas não perdoaram os delegados na chegada a Madri, capital que substitui Santiago do Chile, anfitriã anterior da conferência, enquanto o primeiro-ministro Pedro Sanchez pedia ação (foto: Gabriel Bouys/AFP )

Recordes de calor, multiplicação de catástrofes meteorológicas, derretimento de geleiras, um declínio sem precedentes da natureza: as provas do impacto devastador das atividades humanas sobre o planeta se acumulam, atestando a urgência de agir em particular contra as mudanças climáticas. Em menos de um ano, quatro relatórios científicos da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o estado do planeta soaram como uma sirene de alerta para cidadãos do mundo.  A constatação é  alarmante e aumenta a pressão sobre os signatários do Acordo Climático de Paris, que estão reunidos desde ontem em Madri para a COP25.
 
Os quatro últimos anos foram os mais quentes já registrados no planeta. Após ter tido o mês mais quente da história, em julho, 2019 deverá se somar ao 'top 5' e inclusive se situar como o 2º ou o 3º mais quente, segundo a Agência Oceânica e Atmosférica americana (NOAA). Esse é apenas o começo.
 
A conferência sobre o clima se estenderá por duas semanas. Às vésperas do encontro de autoridades e especialistas em meio ambiente, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, propôs ao mundo acabar com a “guerra contra a natureza” e pediu mais vontade política para o combate às mudanças climáticas. Ontem, na abertura do evento, o primeiro-ministro interino da Espanha, Pedro Sánchez, pregou ação contra os efeitos das agressões à natureza. Na chegada ao encontro, os delegados foram questionados por ativistas em Madri, que substituiu Santiago do Chile, anfitriã anterior do evento. O governo chileno desistiu de sediar a conferência em razão da onda de protestos nas ruas do país.
 
O mundo esquentou em média 1°C desde a era pré-industrial. Mas se os termômetros continuarem a subir no ritmo atual, sob o efeito das emissões de gases-estufa, o limite de +1,5°C, meta ideal do Acordo de Paris, deverá ser alcançado entre 2030 e 2052, segundo os especialistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), subordinado à ONU.
 
Ainda que os países mantenham seus compromissos de redução de emissões, os termômetros vão subir ao menos 3°C até o fim do século, enquanto cada meio grau suplementar aumenta a intensidade ou a frequência de catástrofes meteorológicas, como ondas de calor extremo, tempestades, secas ou inundações. Além disso, os cientistas que trabalham em novos modelos climáticos que servirão de base para o próximo relatório do IPCC, previsto para 2021, sugerem aquecimento ainda mais pronunciado que o previsto, com o pior cenário marcando acréscimo de 7°C em 2100, ante as previsões de pior cenário de 4,8°C a mais anteriormente).
 
Ondas de calor excepcionais na Europa, incêndios gigantescos na Sibéria ou na Austrália, o ciclone Idai em Moçambique, Veneza debaixo d'água... Mesmo que seja difícil atribuir uma catástrofe específica às mudanças climáticas, a multiplicação em curso de fenômenos extremos reflete as previsões dos cientistas. E o futuro será ainda mais sombrio.
 
Em um mundo 1,5°C mais quente, os episódios de fortes precipitações serão mais frequentes, intensos e/ou abundantes, segundo o IPCC. A frequência e a intensidade das secas também deverão aumentar. E até mesmo meio grau a mais nos termômetros provocaria diferenças de impacto claras. Dessa forma, por exemplo, mesmo que um teto de mais 2°C, objetivo mínimo do acordo de Paris, for respeitado, os ciclones, furacões ou tufões serão mais potentes e a proporção de ciclones de categorias 4 e 5 deverá aumentar.

Excesso de CO2 Segundo um relatório da ONU, publicado na semana passada, as emissões de CO2 avançaram em média 1,5% por ano nos últimos 10 anos e elas não dão nenhum sinal de contenção, enquanto seria necessário que baixassem anualmente 7,6%, todos os anos, entre 2020 e 2030. Ao fim de 2018, os principais gases de efeito estufa superaram recordes de concentração na atmosfera, particularmente o CO2, com 407,8 partes por milhão (ppm). A última vez que a atmosfera terrestre viu uma quantidade similar de CO2 “foi há 2 a 5 milhões de anos: a temperatura era de 2oC a 3°C mais elevada que atualmente e o nível do mar, 10 a 20 metros acima do atual”, destaca a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Armas no tribunal


A Suprema Corte dos Estados Unidos abordou ontem, pela primeira vez em quase 10 anos, a questão do controle das armas, com maioria de seus juízes de tendência conservadora, o que pode reforçar ainda mais os direitos dos proprietários de fuzis e revólveres. Nos Estados Unidos, onde cerca de 40 mil pessoas morrem por disparos de armas de fogo a cada ano, a Constituição consagra em sua Segunda Emenda o “direito de as pessoas possuírem e portarem armas”. Em 2008, uma sentença da Suprema Corte considerada um marco determinou que a emenda garantia o direito individual de possuir uma arma e anulou uma lei que proibia as pistolas em Washington. Depois, em 2010, disse que essa decisão era aplicável em nível estadual e federal.Porém, segundo o professor de Direito da Universidade de Duke (Carolina do Norte) Joseph Blocher, a mais alta instância judiciária do país “não disse muito sobre como as cortes deveriam avaliar a constitucionalidade de outras leis de armas, como as restrições às armas de assalto, os cartuchos de alta capacidade e o porte oculto”. Desde 2010, a Suprema Corte rejeitou sistematicamente casos ligados às armas.


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