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Estado de Minas

Marinha dos EUA e ONGs na mira da China


postado em 02/12/2019 11:07

A resposta não demorou. Três dias após o anúncio de represálias contra o apoio dos Estados Unidos a Hong Kong, a China sancionou nesta segunda-feira a Marinha e várias associações americanas.

Na semana passada, o regime comunista anunciou que adotaria medidas de represália depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promulgou a lei sobre os direitos humanos e a democracia em Hong Kong.

Pequim considera o texto uma interferência nos assuntos internos do país e anunciou nesta segunda-feira a suspensão imediata das escalas dos navios de guerra americanos na ex-colônia britânica, retrocedida em 1997. Desde então os navios americanos costumavam atracar em Hong Kong.

O governo chinês, que exerce sua autoridade sobre Hong Kong em matéria militar, "suspenderá a avaliação das petições de visita de recuperação dos navios de guerra americanos, desde hoje", anunciou à imprensa a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Hua Chunying.

Em agosto passado, Pequim já havia bloqueado duas visitas de navios americanos, segundo a Marinha dos EUA. A última visita da US Navy foi em abril, antes da eclosão dos protestos em Hong Kong.

"Operacionalmente, do ponto de vista militar, isso não muda grande coisa para os Estados Unidos", declarou à AFP Michael Raska, especialista em questões de defesa da Universidade Tecnológica de Nanyang de Singapura.

Politicamente, a decisão de Pequim demonstra que "a tensão entre China e Estados Unidos continuará aumentando", previu.

Para o especialista Michael Cole, do Global Taiwan Institute de Taipé, a medida "é, antes de tudo, simbólica", mas ilustra "a escalada de represálias que envenena a relação" entre ambas as potências.

- ONGs sancionadas -

Além disso, o governo chinês imporá "sanções às ONGs que se comportaram mal" em Hong Kong, anunciou Hua, sem dar detalhes.

Entre essas ONGs, aparecem organizações ativas no âmbito dos direitos humanos, como a Human Rights Watch e a Freedom House.

Na semana passada, o governo chinês anunciou que tomaria medidas de represálias diante da "lei de 2019 sobre direitos humanos e democracia em Hong Kong", assinada pelo presidente americano.

O texto ameaça com a suspensão do status econômico especial que Washington dá à ex-colônia britânica caso os direitos dos manifestantes não sejam respeitados.

Donald Trump também aprovou uma medida para proibir a venda de material destinado a repressão pela polícia de Hong Kong às manifestações.

A essa divergência sobre Hong Kong soma-se a guerra comercial e tecnológica travada entre os dois países há um ano e meio.

Até agora, Pequim resistiu a misturar os dois assuntos e suspender as negociações, que atualmente estão concentradas sobre um "acordo preliminar" no âmbito comercial.

Caso esse acordo não seja alcançado, novos aumentos de tarifas mútuas poderão ser implementados a partir de 15 de dezembro.


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