Ao menos 13 pessoas morreram nesta quinta-feira em Nassiriya, sul do Iraque, o que levou as autoridades a instaurar um toque de recolher na cidade, poucas horas depois do incêndio do consulado do Irã na cidade sagrada de Najaf.
Em uma das jornadas mais violentos desde o início dos protestos em outubro, 50 manifestantes ficaram feridos, vários deles em estado crítico, de acordo com fontes médicas.
Mais de 360 mortes e 15.000 feridos foram registrados desde o início das manifestações no país, de acordo com um balanço da AFP com base nas informações divulgadas por fontes médicas e das forças de segurança. O governo iraquiano não divulga números oficiais.
A operação em Nassiriya acontece um dia depois da nomeação de um novo comandante militar para a província.
A nova onda de repressão foi organizada um dia depois da invasão do consulado do Irã em Najaf por centenas de manifestantes, que incendiaram o edifício, símbolo da República Islâmica, considerada pelo movimento de protesto a nação que controla as autoridades no Iraque.
Para os manifestantes, o sistema político instaurado em 2003 pelos americanos após a destituição de Saddam Hussein em um dos países mais ricos em petróleo do mundo - e um dos mais corruptos - está esgotado.
Desde 1 de outubro, dezenas de milhares de iraquianos saíram às ruas para exigir a reforma do sistema político e a renovação total da classe política, considerada corrupta. Oficialmente foram desviados 410 bilhões de euros em 16 anos, o que representa duas vezes o PIB do país.
Depois dos distúrbios em Nassiriya, as autoridades decretaram toque de recolher, mesma medida que já havia sido adotada em Najaf.
O ministério das Relações Exteriores do Irã pediu ao Iraque uma "ação decisiva, eficaz e responsável contra os agentes da destruição e os agressores" de sua embaixada.