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Estado de Minas

Nova prova do abuso de poder de Trump surge nas audiências públicas


postado em 14/11/2019 12:01

Uma nova evidência que reforça as suspeitas de abuso de poder cometido pelo presidente Donald Trump surgiu nesta quarta-feira (14), no primeiro dia das históricas audiências televisionadas no Congresso dos Estados Unidos para determinar se o presidente republicano deve ser levado a um julgamento político.

Ontem, Trump disse estar "ocupado demais" para ver as audiências, durante as quais o presidente republicano recebeu o firme apoio dos congressistas de seu partido.

O quarto processo de impeachment na história dos Estados Unidos busca determinar se Trump usou a política externa para seu benefício pessoal.

A principal prova é a transcrição oficial da Casa Branca de um telefonema de 25 de julho entre Trump e seu homólogo ucraniano, Volodimir Zelenski, no qual o presidente americano lhe pediu que investigasse seu adversário político Joe Biden e de seu filho Hunter por suspeita de corrupção. Este último integrava a diretoria da Burisma, uma empresa de gás ucraniana.

Ex-vice-presidente de Barack Obama, Biden é um dos favoritos para a disputa pela Casa Branca em 2020.

Dois importantes membros do Serviço Exterior americano deram seu testemunho ontem no Congresso: William Taylor, embaixador interino em Kiev, e George Kent, alto funcionário do Departamento de Estado especialista na Ucrânia.

Taylor surpreendeu, ao afirmar que, para Trump, "importava mais" que o governo ucraniano investigasse Biden do que a situação na Ucrânia, em luta contra separatistas apoiados pela Rússia.

Sob juramento, o diplomata disse que soube recentemente de uma chamada telefônica entre Trump e o embaixador dos Estados Unidos na União Europeia, Gordon Sondland.

Um colega seu, que estava a par da conversa lhe contou que, no final da ligação, perguntou a Sondland o que Trump pensava sobre a Ucrânia. "O embaixador Sondland respondeu que o presidente Trump estava mais preocupado em investigar Biden", disse Taylor.

- "Primeira vez que escuto" -

Trump negou as afirmações de Taylor, as quais chamou de "informação de segunda mão".

"É a primeira vez que eu escuto isso", disse ele, ao ser consultado sobre o tema na Casa Branca, embora tenha reconhecido que falou "brevemente" com Sondland.

Defendendo que sua conduta foi "irretocável", Trump reiterou, antes da investigação lançada em 24 de setembro pelos democratas, que está sofrendo uma "caça às bruxas".

A porta-voz da Casa Branca, Stephanie Grisham, disse que Trump passou a manhã "trabalhando", com "reuniões no Salão Oval". À tarde, recebeu o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Na conta do Twitter de Trump, havia uma série de declarações retuitadas de opositores à investigação do Congresso.

Trump pode ser o terceiro presidente americano a ser submetido a um julgamento político, depois de Andrew Johnson, em 1868, e Bill Clinton, em 1998.

Nenhum dos dois foi destituído, e é pouco provável que Trump o seja. Para que isso aconteça, deverá ser condenado pelo Senado, onde os republicanos têm maioria.

Em 1974, porém, o republicano Richard Nixon renunciou à Presidência, diante da iminência de ser julgado pelo escândalo do Watergate.

- "Não fez nada" -

Taylor disse ainda que as pressões para que se investigasse os Biden provinham de "um canal diplomático irregular" que envolve o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani.

Consultado sobre os interesses que Giuliani poderia ter, Kent afirmou: "Acredito que estava buscando informação política incriminatória contra um rival potencial nas próximas eleições".

Em sessões a portas fechadas no Congresso, Taylor e Kent já haviam dito aos legisladores que Trump usou a ajuda militar à Ucrânia como forma de coação.

Na quarta-feira, Taylor reafirmou sua convicção de que reter assistência militar em troca de favores políticos "seria uma loucura", enquanto Kent considerou que pedidos assim "minavam o Estado de Direito".

Já os republicanos, que acusam os democratas de montar um circo midiático, enfatizaram que Kiev não sabia que a Casa Branca havia suspendido os quase US$ 400 milhões de assistência militar à Ucrânia. O valor foi repassado em setembro.

"O que o presidente Zelenski fez, de fato, para obter a ajuda?", questionou o congressista republicano John Ratcliffe.

"A resposta é nada. Não abriu investigações. Não fez nada do que os democratas estão dizendo, que estava sendo forçado, coagido e ameaçado a fazer", acrescentou.

Além disso, os republicanos questionaram as qualificações do filho de Biden para estar na diretoria da Burisma, cargo pelo qual recebia US$ 50 mil por mês.

Cerca de dez audiências estão previstas para acontecerem no Congresso até 20 de novembro.

Nestas sabatinas públicas, os republicanos reivindicam o comparecimento de Hunter Biden e do informante não identificado, que revelou a conversa telefônica de 25 de julho, origem do escândalo.


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