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Estado de Minas

Presidente interina da Bolívia nomeia gabinete


postado em 14/11/2019 00:19

A presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, designou nesta quarta-feira seus primeiros 11 ministros, de um total de 20, um dia após assumir o poder após a renúncia de Evo Morales, que se asilou no México.

Na nova equipe se destacam a acadêmica e diplomata Karen Longari como chanceler, e o senador de direita Arturo Murillo como ministro do Interior.

"Vamos à caça de Juan Ramón Quintana (ministro da Presidência de Morales), porque é um animal que se alimenta de sangue", anunciou Murillo após tomar posse.

Quintana é acusado de ser o "cérebro" das ações contra a oposição, especialmente a guerra suja que supostamente realizava o governo do ex-presidente de esquerda.

Já Añez afirmou que "o trabalho principal da nossa administração será restabelecer a paz social".

Para ministro das Finanças foi nomeado José Luis Parada, assessor econômico do governo de Santa Cruz, rica região oriental e bastião opositor a Morales.

O novo ministro da Presidência é Jerjes Justiniano, um advogado ligado ao líder cívico promotor dos protestos contra Morales, Luis Fernando Camacho.

A pasta da Defesa coube ao consultor de marketing Fernando López Julio, e a da Comunicação à jornalista Roxana Lizarraga.

"Este Conselho de Ministros que é apresentado hoje de forma parcial (...) inclui pessoas conhecedoras e especializadas de perfil técnico, como corresponde a um governo de transição", destacou Añez em seu discurso.

A presidente reafirmou que o outro desafio do governo é convocar novas eleições o mais rápido possível.

"Não aceitarei qualquer outra saída que não sejam eleições democráticas", já havia afirmado Añez, uma senadora de direita de 52 anos, até então pouco conhecida nacionalmente.

"Convidaremos a Organização dos Estados Americanos e a União Europeia" como observadoras das eleições, disse a nova chanceler Longari, única integrante do gabinete que falou durante a cerimônia de posse.

"Faremos o necessário para deixar uma política externa estruturada", destacou Longari, acrescentando que a Bolívia assumirá um papel "ativo" na diplomacia latino-americana.

Uma das primeiras ações de Añez nesta quarta-feira foi designar uma nova cúpula militar, que terá como comandante das Forças Armadas o general do Exército Sergio Carlos Orellana, que ocupa o lugar do general Williams Kaliman, que passou à reserva.

O general Kaliman, nomeado chefe das Forças Armadas há um ano, se negou a enviar militares para reprimir os protestos e a revolta policial contra Morales, deflagrada na sexta-feira passada.

O "Estado é necessário mais do que nunca para manter a paz", disse Orellana em um discurso no qual pediu aos seguidores de Morales que "deponham suas atitudes intransigentes".

A presidente também nomeou o novo chefe do Estado-Maior, e os novos comandantes do Exército, Marinha e Força Aérea.

Áñez elogiou "a disposição democrática das Forças Armadas e da Polícia", que abandonaram Morales, o que precipitou sua renúncia horas após a Organização dos Estados Americanos (OEA) divulgar um relatório recomendando a anulação das eleições de outubro.

O novo gabinete assume após três semanas de greves e manifestações deflagradas pelas eleições de 20 de outubro, questionadas pela oposição.

A onda de protestos contra e pró-Morales já deixou 10 mortos e 400 feridos na Bolívia, segundo números oficiais.

- Golpe e contragolpe -

Ao nomear a nova cúpula militar, a presidente afirmou que "não há golpe de estado na Bolívia, há sim uma reposição constitucional".

"O único golpista deste país foi Evo Morales", disse Añez, em referência à decisão do ex-presidente de ignorar o resultado do referendo que negou sua reeleição indefinida, em 2016, e da suposta fraude na apuração das eleições de 20 de outubro.

No México, Morales voltou a denunciar "o golpe" e declarou, em entrevista coletiva, que "se meu povo pedir, estamos dispostos a voltar para apaziguar, mas é importante o diálogo nacional".

"Vamos voltar cedo ou tarde. Quanto antes melhor para pacificar a Bolívia", declarou o ex-presidente.

"É importante o diálogo nacional. Sem diálogo nacional, estou vendo que vai ser difícil deter este confronto", acrescentou sobre a violência que persiste no país.

Posteriormente, em declarações no Twitter, Morales disse que "o golpe de Estado que provoca mortes dos irmãos bolivianos é uma conspiração política e econômica que vem dos EUA".

Na noite desta quarta-feira, o secretário americano de Estado, Mike Pompeo, reconheceu formalmente Añez como a nova presidente da Bolívia.

"Os Estados Unidos aplaudem a senadora boliviana Jeanine Áñez por tomar posse como presidente interina para guiar a nação nesta transição democrática, sob a Constituição da Bolívia", destacou Pompeo.


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