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Estado de Minas

Presidente interina da Bolívia nega 'golpe' e renova cúpula militar


postado em 13/11/2019 21:01

A presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, nomeou nesta quarta-feira uma nova cúpula militar e negou ter chegado ao poder através de um "golpe de Estado", como afirma o ex-presidente Evo Morales, asilado no México.

"Não há golpe de estado na Bolívia, há sim uma reposição constitucional", afirmou Añez em entrevista coletiva no Palácio Quemado, um dia após assumir a presidência.

A presidente interina reafirmou que convocará eleições "o mais breve possível".

"O único golpista deste país foi Evo Morales", disse Añez, em referência à decisão do ex-presidente de ignorar o resultado do referendo que negou sua reeleição indefinida, em 2016, e da suposta fraude na apuração das eleições de 20 de outubro.

"Não aceitarei qualquer outra saída que não sejam eleições democráticas", afirmou Añez, uma senadora de direita até então pouco conhecida nacionalmente.

A advogada, de 52 anos, que ocupava o cargo de segunda vice-presidente do Senado foi eleita presidente em uma sessão sem quórum, e diante da ausência dos principais legisladores na linha de sucessão.

Uma das primeiras ações de Añez nesta quarta-feira foi designar uma nova cúpula militar, que terá como comandante das Forças Armadas o general do Exército Sergio Carlos Orellana, que ocupa o lugar do general Williams Kaliman, que passou à reserva.

O general Kaliman, nomeado chefe das Forças Armadas há um ano, se negou a enviar militares para reprimir os protestos e a revolta policial contra Morales, deflagrada na sexta-feira passada.

O "Estado é necessário mais do que nunca para manter a paz", disse Orellana em um discurso no qual pediu aos seguidores de Morales que "deponham suas atitudes intransigentes".

A presidente também nomeou o novo chefe do Estado-Maior, e os novos comandantes do Exército, Marinha e Força Aérea.

Áñez elogiou "a disposição democrática das Forças Armadas e da Polícia", que abandonaram Morales, o que precipitou sua renúncia horas após a Organização dos Estados Americanos (OEA) divulgar um relatório recomendando a anulação das eleições de outubro.


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