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Estado de Minas ESPANHA

Socialistas favoritos, mas direita avança


postado em 09/11/2019 04:00

A sombra do partido de extrema-direita Vox domina o fim da campanha na Espanha, que caminha para mais um governo sem maioria política. As sondagens para o pleito de amanhã apontam uma vitória do atual primeiro-ministro, o socialista Pedro Sánchez (PSOE). Mas, por outro lado, indicam avanço expressivo do Vox, que pode dobrar suas 24 cadeiras das 350 na Câmara, o que transformaria o partido na terceira força no Parlamento.

O cenário é utilizado por Sánchez para tentar mobilizar os eleitores de esquerda, como fez em abril, quando venceu as legislativas sem maioria absoluta. Pesquisas projetam mais uma vez o bloqueio político, já que nem esquerda nem direita formação 176 cadeiras. "O que temos de fazer, eleitores progressistas, é nos mobilizarmos em 10 de novembro e frear a extrema-direita com nosso voto", afirmou.

Sánchez criticou os rivais de direita, Partido Popular (PP) e Cidadãos, por sua proximidade com o Vox, graças ao qual já governam as regiões Madri e Andaluzia, além da prefeitura da capital. Esses três partidos mostraram articulação na quinta-feira, quando o Parlamento regional madrileno aprovou proposta do Vox, para pedir ao governo central que considere ilegal os partidos separatistas “que atentam contra a unidade da nação".

Tanto PP (66 deputados atualmente) como Vox esperam capitalizar a tensão na Catalunha, onde Barcelona e outras cidades registraram distúrbios inéditos após a condenação de nove líderes separatistas a penas de prisão.

O grande perdedor seria o Cidadãos, de centro-direita que parece ter alienado muitos de seus eleitores. As pesquisas apontam a possibilidade de queda de 57 para apenas 15 deputados. Diante da questão catalã, a economia ficou em segundo plano durante a campanha.

Como ocorre desde 2015, quando o tradicional bipartidarismo PP/PSOE foi implodido, as eleições agora serão marcadas por uma grande fragmentação. A disputa tem três partidos de direita, três de esquerda (PSOE, a extrema-esquerda do Podemos e uma divisão deste último, Mais País), três separatistas catalães e dois vascos, além de outras formações regionais.

A falta de acordo prolongou o cenário de bloqueio político, que está virando crônico e dificulta o trabalho parlamentar. Como prova da situação, o orçamento em vigor é o de 2018, elaborado pelo governo anterior, do PP. Sem responder como pensam e solucionar o bloqueio, PP e PSOE insistem em defender o voto útil.

Os olhares também estão voltados para a Catalunha, onde a plataforma independentista Tsunami Democrático convocou protestos para hoje. Em outubro houve distúrbios pesados na região.
 
 
(foto: MARTIN BERNETTI/AFP)
(foto: MARTIN BERNETTI/AFP)

Mais protestos no Chile
Após três semanas de manifestações pacíficas intercaladas por confrontos violentos, milhares de chilenos voltaram às ruas em Santiago, em novo protesto contra o governo do conservador Sebastián Piñera. O balanço das três semanas de atos diários é de 20 mortos e mais de mil feridos. Os distúrbios afetaram pequenos e médios empresários de uma das economias mais estáveis da América Latina. Há grupos que exigem a renúncia do presidente. Pressionado, ele prometeu rever parte da política de arrocho contra os setores mais desprotegidos da população.



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