Dois ex-funcionários do Twitter e um terceiro indivíduo foram denunciados a uma corte federal de San Francisco por espionar usuários da rede social críticos à família real saudita, informou nesta quarta-feira (5) o departamento de Justiça.
Os denunciados são dois sauditas e um americano que teriam trabalhado em conjunto para obter detalhes de contas do Twitter de dissidentes para entregá-los ao governo em Riad e à família real, segundo o departamento de Justiça.
Segundo um documento do tribunal, eles foram guiados por um oficial saudita não identificado que trabalhava para alguém que os promotores designaram como "um membro da família real-1", que segundo o jornal The Washington Post seria o príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman.
Os acusados são funcionários do Twitter Ali Alzabarah e Ahmad Abouammo, juntamente com Ahmed Almutairi, um oficial de marketing vinculado à família real.
"A denúncia criminal revelada hoje afirma que agentes sauditas vasculharam os sistemas internos do Twitter para obter informações pessoais sobre críticos sauditas conhecidos e milhares de outros usuários do Twitter", disse o procurador americano David Anderson.
"A lei americana protege as empresas americanas contra invasões ilegais no exterior. Não permitiremos que empresas ou a tecnologia americanas se tornem ferramentas de repressão estrangeira em violação à lei", afirmou o procurador.
O processo ocorre em um momento em que as relações entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita continuam a sofrer tensões devido ao assassinato brutal há um ano do jornalista saudita Jamal Khashoggi, que escrevia, entre outros, para o Washington Post.
Crítico do príncipe herdeiro, Khashoggi foi morto e esquartejado dentro do consulado saudita em Istambul.
Segundo o Post, a inteligência dos Estados Unidos concluiu que o próprio príncipe estava intimamente relacionado ao assassinato.
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