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Estado de Minas

John Bercow se aposenta após 10 anos como presidente da Câmara dos Comuns


postado em 31/10/2019 11:25

O presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, que teve um papel crucial nos intermináveis debates sobre o Brexit, deixa a cadeira nesta quinta-feira (31), depois de passar dez anos neste cargo, um período marcado por seus pedidos de ordem, respostas truculentas e críticas sobre sua suposta parcialidade.

Para o Reino Unido, 31 de outubro seria histórico e marcaria a saída da União Europeia (UE). O "speaker" também escolheu a data para deixar seu posto.

A saída do país da UE foi adiada pela terceira vez, porém, e a nação, que inicia a campanha das eleições legislativas, despede-se de um de seus personagens mais peculiares. O sucessor de Bercow será eleito na segunda-feira (4) entre nove candidatos.

Este legislador conservador de 56 anos, com um gosto pronunciado pela teatralidade, é conhecido principalmente por presidir os debates aos gritos de "Ordem, ordem!". Segundo a rede BBC, ele teria pronunciado a palavra quase 14.000 vezes em dez anos.

Com sua toga de seda preta e gravatas estampadas, este homem de 1,68 metro de altura, cabelo branco e voz potente teve, graças a uma interpretação pessoal das atribuições do cargo, um papel mais decisivo do que seus antecessores.

O jornal "Daily Mail" o chamou esta semana de "cápsula de cianeto em um bombom de chocolate", enquanto o primeiro-ministro Boris Johnson elogiou suas qualidades de árbitro dos debates.

Johnson disse que Bercow não era apenas um "comentarista", e sim um "jogador em período integral" que dava suas opiniões "como um arremessador incontrolável de bolas de tênis".

Bercow decidiu, por exemplo, que Johnson não poderia voltar a submeter à votação dos deputados o acordo renegociado com a União Europeia, porque seria "repetitivo". Meses antes, também impediu a então primeira-ministra Theresa May de reapresentar seu texto aos deputados.

Cabe ao "speaker" decidir o que é aceito para debate e votação. Ao longo dos anos, Bercow conseguiu direcionar desta maneira as discussões em um sentido, ou em outro.

Por este motivo, suas decisões eram acompanhadas com atenção pelo governo e pelos eurocéticos, que o acusaram de parcialidade e de beneficiar os pró-UE, contra a neutralidade imposta por sua função.

- "Ordem!" -

Integrante do Partido Conservador, Bercow foi a pedra no sapato de sucessivos governos "tories". O primeiro-ministro David Cameron tentou, sem sucesso, expulsá-lo do cargo.

Foi a pessoa mais jovem a assumir o posto, com 46 anos, e se esforçou para modernizar a função, abandonando por exemplo o uso da peruca branca. Em 2017, permitiu que os deputados não usassem gravata.

Antes mesmo de receber críticas pela gestão dos debates do Brexit já havia sido censurado pelos conservadores por sua oposição a um discurso do presidente americano, Donald Trump, no Parlamento britânico, durante uma visita do republicano ao país.

Em 2018, foi acusado de maltratar verbalmente seus colaboradores. Na ocasião, recebeu o apoio do opositor Partido Trabalhista.

Nascido em 19 de janeiro de 1963, Bercow cresceu no norte do Londres. Seu pai era taxista.

Ele deu os primeiros passos na política na universidade, antes de virar conselheiro municipal do bairro londrino de Lambeth, com 23 anos. Em 1997, foi eleito deputado pela primeira vez.

Doze anos depois chegou à presidência da Câmara dos Comuns com a promessa de romper as práticas de seu antecessor, envolvido em um escândalo de notas falsas de gastos e obrigado a renunciar.

Pouco depois de assumir o cargo de "speaker", Bercow provocou polêmica ao solicitar milhares de libras para reformar o apartamento funcional no Parlamento e poder alojar os três filhos.

Sua esposa, Sally Bercow, virou manchete por questões geralmente desvinculadas da política: uma vez, posou para uma revista vestida apenas com um lençol branco, participou de um reality show e manteve um relacionamento com um primo do marido.

A maior polêmica, porém, aconteceu em 2010, quando ela disputou uma eleição local pelo Partido Trabalhista, grande rival do partido de seu marido.

Bercow, no entanto, defendeu Sally: "Minha mulher não me pertence", declarou.


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