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Estado de Minas

HRW: milícias apoiadas pela CIA matam com impunidade no Afeganistão


postado em 31/10/2019 07:01

Grupos paramilitares afegãos apoiados pelos Estados Unidos estão atuando com total impunidade, executando civis durante operações noturnas e provocando o desaparecimento de suspeitos, denuncia um relatório da ONG Human Rights Watch (HRW).

A organização afirma que examinou 14 operações dos "grupos de choque" apoiados pela CIA, entre o fim de 2017 e meados de 2019, durante as quais foram cometidas "violações graves", incluindo algumas que poderiam ser consideradas "crimes de guerra".

Em uma das operações, realizada na província de Paktia (leste) em agosto, um grupo paramilitar matou 11 pessoas no mesmo vilarejo.

"As testemunhas afirmam que nenhuma apresentou resistência", afirma o relatório da HRW.

A CIA criticou o documento e assegura que os atos atribuídos às forças afegãs são "aparentemente falsos ou exagerados".

"Ao contrário dos talibãs, os Estados Unidos atuam respeitando o Estado de direito. Não toleraremos as atividades ilegais e não participaremos conscientemente neste tipo de crimes", afirmou a CIA em um comunicado.

As milícias secretas apoiadas pela CIA estão ativas no Afeganistão desde a guerra contra o exército soviético nos anos 80. Sua ação contra os talibãs se intensifica à medida que a guerra contra os insurgentes se prolonga.

Washington negociou durante um ano a retirada de suas forças do Afeganistão em troca de garantias de segurança, mas o presidente Donald Trump encerrou as conversações de modo abrupto em setembro.

Em vários casos, as operações citadas pela ONG foram acompanhadas por bombardeios que matam civis "de forma cega e desproporcional".

De acordo com estatísticas divulgadas esta semana pela Otan, as tropas americanas executaram mais 1.100 bombardeios e ataques terrestres no Afeganistão em setembro.

"Ao intensificar as operações contra os talibãs, a CIA permite às forças afegãs (...) cometer atrocidades, incluindo execuções extrajudiciais e desaparecimentos", lamenta Patricia Gossman, autora do informe e diretora da HRW na Ásia.

De acordo com a HRW, as milícias afegãs que cometem estes excessos dependem das forças especiais afegãs e são em grande parte recrutadas, treinadas, equipadas e supervisionadas pela CIA.

Segundo a ONU, de janeiro a setembro mais de 2.500 civis morreram no Afeganistão.


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