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Estado de Minas

Ditador espanhol Franco é exumado 44 anos após sua morte


postado em 24/10/2019 11:55

Quarenta e quatro anos depois de sua morte, o ditador Francisco Franco foi exumado de seu monumental mausoléu perto de Madri, para ser enterrado em um discreto cemitério, uma operação que gerou um intenso debate político e reavivou velhas feridas ainda abertas na Espanha.

Depois de um procedimento de extração de cerca de duas horas, o caixão saiu da basílica escavada na pedra no Vale dos Caídos carregado nos ombros de oito membros de sua família, como mostraram imagens transmitidas ao vivo pela televisão estatal.

O caixão foi saudado com um "Viva a Espanha, viva Franco!" pelos familiares, entre eles Carmen Martínez-Bordiu, personagem muito conhecida do mundo do entretenimento espanhol, e Luis Alfonso de Borbón, bisneto de Franco.

Na sequência, os restos mortais do general que dirigiu a Espanha com mão de ferro entre 1939 e 1975 após sua vitória na Guerra Civil (1936-1939) foram levados em um helicóptero militar para o cemitério de El Pardo-Mingorrubio, ao norte de Madri.

Já sem câmeras por perto, foi enterrado em uma cripta familiar junto com sua mulher, Carmen Polo, depois de uma missa oficiada pelo padre Ramón Tejero, filho do tenente-coronel que liderou um frustrado golpe de Estado em 1981, Antonio Tejero.

Este último, de 87 anos, foi celebrado quando se uniu a cerca de 200 pessoas saudosas que estavam do lado de fora do cemitério. Aos gritos de "Viva Franco", cantaram o hino da Falange, partido de inspiração fascista.

"Franco nunca morrerá", disse à AFP o aposentado Miguel María Martínez.

- Sánchez: fim da "ofensa moral" -

"Com esta decisão, põe-se fim a uma ofensa moral, como é o enaltecimento da figura de um ditador em um espaço público", afirmou o presidente do governo, Pedro Sánchez, em um discurso.

O líder socialista fez da exumação uma de suas prioridades ao chegar ao poder em junho de 2018. A medida foi adiada, em função da batalha judicial travada pelos sete netos do ditador.

A oposição - tanto de direita quanto de esquerda - o acusou de usar o evento com fins eleitoreiros a pouco mais de duas semanas das eleições de 10 de novembro. Sánchez chegará às urnas em uma situação delicada, após a semana de distúrbios violentos na Catalunha.

A exumação reabriu velhas feridas nunca curadas desde a Guerra Civil e o franquismo, em um país com mais de 100.000 desaparecidos.

O presidente da Fundação Nacional Francisco Franco, Juan Chicharro, denunciou uma "guerra ideológica" e afirmou que continuará lutando para que o ditador seja enterrado na catedral da Almudena, no centro de Madri. Essa possibilidade já foi descartada pelo Tribunal Supremo espanhol.

"Com esta ação se resolve" uma grande "contradição" na Espanha, uma democracia com 40 anos e um ditador ocupando um mausoléu em sua homenagem, comemorou o historiador Nicolás Sánchez-Albornoz, preso em sua juventude no Vale dos Caídos.

Encomendada por Franco em 1940, a construção do complexo durou quase 20 anos e, dela, participaram milhares de presos políticos.

Para o lugar, coroado por uma enorme cruz de 150 metros de altura, o "Caudilho" transferiu os corpos de mais de 30.000 vítimas do conflito, em nome de uma suposta "reconciliação" nacional.

Desde sua morte, em 1975, Franco descansou em um túmulo sempre enfeitado com flores frescas, aos pés do principal altar da basílica.

O governo agiu com base em uma decisão de 2017 do Parlamento espanhol, solicitando a exumação de Franco.

Desde a adoção, em 2007, por parte do governo de José Luis Rodríguez Zapatero (PSOE), de uma "Lei de Memória Histórica", a direita acusa a esquerda de querer reabrir as feridas do passado.


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