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Estado de Minas

Bolívia é sacudida por protestos diante de iminente resultado eleitoral


postado em 22/10/2019 22:37

Uma violenta manifestação ocorria na noite desta terça-feira nos arredores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em La Paz, diante da iminente conclusão da polêmica apuração dos votos das eleições de domingo, que inicialmente apontavam para um segundo turno e agora indicam uma vitória direta do presidente Evo Morales.

Centenas de pessoas enfrentaram a polícia em uma praça do centro de La Paz, onde o TSE tem sua sede, constatou a AFP.

Os manifestantes, contrários ao presidente, lançaram paus e pedras contra a polícia, que reagiu com bombas de gás lacrimogêneo.

O vice-presidente do TSE, Antonio Costas, pediu demissão nesta terça, em meio às fortes críticas ao trabalho do organismo pela paralisação - de 20 horas - da contagem preliminar dos votos.

A renúncia foi motivada pela "desatinada decisão do Tribunal Superior Eleitoral de suspender a publicação dos números do Sistema de Transmissão dos Resultados Preliminares Eleitorais (TREP)", explicou Costas na carta dirigida ao vice-presidente boliviano, Álvaro García, também presidente do Congresso, que designa os membros do TSE.

"Não participei (desta decisão), apesar de ser vice-presidente do TSE", destacou Costas na carta.

A determinação de suspender o fluxo de informação produziu em mim "perturbação porque havíamos feito um trabalho esmerado, um trabalho cuidadoso, com 94% do TREP", disse Costas à rádio Panamericana.

Foi uma decisão "precipitada não publicar (os dados e suspendê-los em 84%) e fazê-lo um dia depois, provocando uma situação tão complexa como irracional".

Quando a contagem rápida foi suspensa, o TREP havia contabilizado 84% dos votos válidos e dava 45,28% para o presidente Evo Morales, contra 38%,16 para Carlos Mesa, o que quase garantia um segundo turno.

Mas após uma inexplicável paralisação de 20 horas, a apuração mostrou uma mudança radical, com a eleição de Morales no primeiro turno.

A situação colocou sob suspeita o TSE e a missão de observadores da OEA pediu explicações ao órgão eleitoral.


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