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Estado de Minas

Catalunha se acalma ao final do sexto dia de protestos


postado em 19/10/2019 21:31

Após fortes distúrbios que deixaram mais de 180 feridos, a tensão diminuiu neste sábado na Catalunha, no sexto dia de protestos desde a sentença de prisão contra nove líderes separatistas pela tentativa de secessão de 2017.

Depois de cinco noites de tumultos, que deixaram mais de 600 feridos e 300 detidos nessa região do nordeste da Espanha, uma rede humana de separatistas conseguiu acalmar os ânimos da manifestação em Barcelona.

O presidente regional, o separatista Quim Torra, exigiu o início de uma "negociação sem condições" para resolver o conflito, mas recebeu a recusa do governo socialista de Pedro Sánchez, sob pressão da direita a três semanas das eleições legislativas, em 10 de novembro.

Na praça Urquinaona, o epicentro da violência na noite de sexta-feira, cerca de 6.000 pessoas, segundo a polícia municipal, se reuniram à tarde para protestar contra a "repressão" da polícia.

Entre eles e o cordão policial, um grupo de dezenas de separatistas se sentaram no chão, em meio a vaias e objetos jogados contra a polícia.

Apesar dos esforços, pequenos grupos formaram barricadas em chamas, um deles nas populares Ramblas de Barcelona. A polícia respondeu com balas de borracha.

Durante o dia, ativistas pró-independência fizeram numerosos bloqueios de ruas e estradas, constantes na última semana.

- Caos na véspera -

Na noite de sexta-feira, depois de uma marcha pacífica que reuniu 525.000 pessoas, o centro de Barcelona testemunhou duros confrontos entre policiais e jovens mascarados que causaram 152 feridos.

Em toda a Catalunha, 182 pessoas precisaram de assistência médica na sexta-feira, o número mais alto desde o início dos protestos na segunda-feira, com a sentença de 9 a 13 anos de prisão a nove líderes separatistas pela tentativa de secessão de 2017.

Os incidentes começaram na segunda-feira no aeroporto de El Prat, parcialmente bloqueado por 10.000 separatistas, e continuaram a partir de terça-feira no centro de Barcelona e outras cidades catalãs.

Além disso, neste sábado, houve protestos contra a condenação dos líderes catalães em San Sebastián (País Basco, norte) e Madri, onde houve 26 feridos em incidentes entre manifestantes e polícia, segundo os serviços de emergência da capital.

- Pressão eleitoral para Sánchez -

Antes das eleições legislativas de 10 de novembro, a iluminação da Catalunha pressiona o governo socialista de Pedro Sánchez, que enviou seu ministro do Interior a Barcelona.

O presidente separatista catalão, Quim Torra, exigiu de Sanchez a abertura de uma "negociação sem condições", isto é, sem excluir a possibilidade de um referendo de autodeterminação.

O governo restringiu o diálogo ao marco legal, que exclui essa votação, e exigiu que o líder regional "condene fortemente a violência" diante da ambiguidade de suas declarações recentes.

Em plena campanha eleitoral, os partidos de direita instaram o chefe de governo em exercício a tomar medidas drásticas para restaurar a ordem na Catalunha.

O conservador Pablo Casado prometeu que seu Partido Popular "será a barreira de contenção diante do desafio separatista". O Cidadãos (centro-direita), que convocou uma manifestação para o domingo em Barcelona, exigiu a destituição de Torra, considerado um "perigo público".

Nascida da frustração da base da independência, dois anos após a tentativa de secessão da Catalunha em 2017, a violência marca um ponto de virada para o movimento separatista que se vangloriava de sua natureza pacífica.


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