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Estado de Minas

México confirma libertação de filho de El Chapo após operação "mal planejada"


postado em 18/10/2019 15:01

O governo mexicano confirmou nesta sexta-feira que deteve e depois liberou Ovidio Guzmán, filho de Joaquín "el Chapo" Guzmán, para proteger a segurança da população na capital do estado de Sinaloa (noroeste), após ataques violentos do crime organizado ocorridos na quinta-feira.

Homens fortemente armados travaram uma batalha campal na quinta contra as forças de segurança mexicanas que realizavam uma operação fracassada para capturar Guzmán em Culiacán, capital de Sinaloa, reduto do cartel da família.

O secretário de Defesa, Luis Sandoval, reconheceu que o episódio foi o produto de "uma estratégia mal planejada".

Ovidio Guzmán, de 28 anos, é um dos quatro filhos que El Chapo, preso nos Estados Unidos cumprindo uma pena de prisão perpétua por narcotráfico, teve com Griselda López Pérez, sua segunda esposa.

Durazo afirmou na noite de quinta-feira que uma unidade da Guarda Nacional realizava um "patrulhamento de rotina" em um bairro do centro de Culiacán, cidade de 750.000 habitantes, quando uma moradia foi atacada por tiros, em uma ação que a polícia respondeu com a detenção de quatro pessoas, entre elas, Guzmán.

Mas nesta sexta-feira, as autoridades reconheceram que a operação foi planejada.

Durazo disse que grupos do crime organizado cercaram a residência, onde Guzmán estava detido "com uma força maior" do que a dos militares, desatando o pânico em diversos pontos da cidade, motivo pelo qual o governo mexicano optou por interromper a operação.

"Se ontem demos uma versão diferente foi porque contávamos com uma informação diferente", disse Durazo.

"A ordem de apreensão não chegou com a oportunidade que havia sido planejada com o desenho da operação", admitiu o secretário de Segurança.

Durazo afirmou que não houve qualquer negociação na libertação de Guzmán, e reafirmou que o governo mexicano não está disposto a fazer isso com nenhum grupo criminoso.

"O governo não negocia com nenhuma organização criminosa", ressaltou.

- AMLO apoiou a decisão -

O presidente Andrés Manuel López Obrador afirmou que apoiou a decisão de abandonar a operação.

"A prisão de um criminoso não pode valer mais do que as vidas das pessoas. Eles tomaram essa decisão e eu a apoiei", disse durante sua habitual coletiva matinal.

O presidente mexicano assegurou que "de nenhuma maneira diria que (nossa) estratégia (de segurança) fracassou".

López Obrador também confirmou que a ordem de apreensão provisória contra Guzmán resulta de uma solicitação com fins de extradição para os Estados Unidos, recebida pelo governo mexicano em setembro de 2018.

O tiroteio de quinta-feira durou cerca de seis horas em vários pontos da capital de Sinaloa. As imagens de televisão mostraram cenas de pânico nas ruas, com homens mascarados e fortemente armados atacando as forças de segurança com uma chuva ensurdecedora de tiros.

Sandoval confirmou a morte de um civil e sete soldados, além de três policiais feridos por arma de fogo. Vários veículos policiais locais e um helicóptero também foram alvejados por balas.

O secretário disse que as ações "representaram o uso adequado da força" e garantiu que o estado de direito não foi violado.

As autoridades mexicanas anunciaram que será realizada uma investigação sobre o que aconteceu.

El Chapo Guzmán, considerado o traficante de drogas mais poderoso do mundo, escapou em janeiro de 2001 da prisão de Puente Grande.

Ele foi capturado novamente em fevereiro de 2014, mas 17 meses depois ele estrelou outra fuga espetacular de uma prisão de segurança máxima.

Ele foi preso pela terceira vez em janeiro de 2016 e um ano depois foi extraditado para os Estados Unidos.

Após um período de brigas internas, seus filhos assumiram o controle do cartel, juntamente com seu cofundador, Ismael "El Mayo" Zambada.


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